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A semana das zebras: quando o futebol dos grandes encontra o chão

Novorizontino na final do Paulistão e Grêmio goleando o Inter mostram que o futebol brasileiro está mudando. E os grandes precisam acordar.

Neide Ferreira
Neide Ferreira
4 min de leitura
A semana das zebras: quando o futebol dos grandes encontra o chão
Ilustração — A semana das zebras: Novorizontino comemora classificação histórica no Paulistão 2026

Coluna de Neide Ferreira | Publicada aos domingos

Alguém precisa falar: o futebol brasileiro está virando de cabeça para baixo. E não estou falando do VAR.

Neste fim de semana, vimos duas coisas que há cinco anos seriam impensáveis. O Novorizontino — time fundado em 2010, com orçamento que não paga um mês de Memphis Depay — eliminou o Corinthians e chegou à primeira final de Paulistão de sua história. E o Grêmio, que há pouco tempo brigava contra o rebaixamento, deu uma surra de 3 a 0 no Internacional no Gre-Nal 450.

O que está acontecendo?

O Corinthians e a bolha que estourou

Vamos começar pelo Choque-Rei de São Paulo. Não, não o de ontem. O outro, que aconteceu no sábado, quando o Novorizontino — o Tigre de Novo Horizonte — tirou o Corinthians da disputa.

O Timão entrou em campo com Memphis Depay, Rodrigo Garro, Gabriel Paulista. Nomes que, no papel, deveriam massacrar um time que disputava a Série D até poucos anos atrás. Mas futebol não se joga no papel. E o Corinthians descobriu isso da pior maneira.

A verdade é que o Corinthians vive em uma bolha. Contrata caro, paga salários astronômicos, e acha que isso basta. Não basta. O time de Dorival Júnior entrou em campo sem alma, sem ideia, sem vontade. E foi engolido por um Novorizontino que sabia exatamente o que queria.

Enderson Moreira montou um time organizado, compacto, que soube sofrer quando precisou e que tinha um plano. O Corinthians? Tinha estrelas. Só isso.

O Gre-Nal e a lição de humildade

Domingo foi dia de outra lição. O Grêmio de Luís Castro, que muitos duvidavam, meteu 3 a 0 no Internacional na Arena. E não foi sorte. Foi superioridade em todos os setores.

O Inter de Paulo Pezzolano, que vinha sendo elogiado pela solidez defensiva, viu a defesa desmoronar aos 33 minutos do primeiro tempo, quando Bernabéi foi expulso. A partir daí, foi um massacre. Amuzu, Enamorado e Carlos Vinícius fizeram a festa.

O que me impressionou não foi só o resultado. Foi a forma. O Grêmio jogou com raça, com intensidade, com vontade. O Inter parecia perdido, sem reação, sem ideia.

O que isso significa?

Estamos vendo uma mudança no futebol brasileiro. Os clubes menores estão profissionalizando. Estão contratando bem, montando times organizados, com identidade. E estão dando trabalho.

Enquanto isso, os grandes continuam achando que nome e história vencem jogos. Não vencem. O Corinthians descobriu isso na prática. O Inter também.

O Novorizontino é o exemplo perfeito. Fundado há apenas 16 anos, já está na final do Paulistão. Tem artilheiro da competição (Robson, com 7 gols). Tem um técnico que sabe o que faz. E tem jogadores que correm, que se doam, que entendem o momento.

Compare com o Corinthians. Time caro, elenco cheio de estrelas, e nada de resultado.

O alerta para os grandes

Esta semana é um alerta. Para Corinthians, para Internacional, e para todos os clubes grandes que acham que podem comprar títulos.

O futebol mudou. O investimento conta, claro. Mas organização, planejamento, identidade de jogo — isso conta mais. O Novorizontino provou. O Grêmio, que há pouco tempo estava na lama, também está provando.

Os grandes precisam acordar. Ou vão continuar sendo surpreendidos por times que, no papel, não deveriam nem estar no mesmo campo.

O que vem por aí

O Novorizontino aguarda o vencedor de Palmeiras x São Paulo. Seja quem for, o Tigre entra em campo sem pressão. E isso é perigoso.

Uma final de Paulistão com Novorizontino já é histórica. Mas uma vitória do time do interior seria ainda mais. Seria a prova de que, no futebol, trabalho e organização ainda vencem dinheiro e estrelismo.

E talvez seja exatamente isso que o futebol brasileiro precise lembrar.


Fontes consultadas: ge.globo.com, UOL Esporte, ESPN Brasil, Gazeta Esportiva

Neide Ferreira é colunista do portal. As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade da autora e não necessariamente refletem a posição editorial do portal.

Fonte: ge.globo / UOL Esporte / ESPN Brasil | Informações adicionais por Beira do Campo

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Colunista

Neide Ferreira, 58 anos de paixão pelo futebol. Colunista que não tem medo de falar o que pensa. Voz da torcida, defensora do futebol raiz e inimiga da hipocrisia no esporte.