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Brasileirão

São Paulo: terceiro lugar, primeiro problema

O Tricolor está no G4 com 20 pontos, mas o Palmeiras tem 26 e o São Paulo não convence. Neide Ferreira vai direto ao ponto: a tabela está mentindo para o torcedor.

Neide Ferreira
Neide Ferreira
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São Paulo: terceiro lugar, primeiro problema
Ilustração — Morumbis ao entardecer: o São Paulo precisa despertar antes que a tabela vire pesadelo

Terceiro lugar. Vinte pontos. G4 garantido — ao menos por enquanto. O São Paulo está num daqueles momentos em que a tabela parece ser a única coisa que funciona no clube. E olha, eu respeito a matemática. Só que matemática não bota a bola no gol, não segura pressão no Barradão e não explica como o Tricolor ficou dez em campo num jogo que precisava vencer.

Vou falar o que ninguém no Morumbi quer ouvir: o São Paulo está vivendo de resto dos outros. Não de futebol. De resto.

A tabela é gentil — mas não é eterna

Palmeiras tem 26 pontos. Seis a mais. Com cinco rodadas ainda na fase inicial do campeonato, o Verdão já abriu uma distância que, convenhamos, o São Paulo não tem capacidade atual de fechar. Não do jeito que está jogando.

Flamengo, Fluminense e Bahia também têm 20 pontos. O SP está em terceiro pelo saldo de gols. Saldo de gols. O critério de desempate que existe justamente para os casos em que o futebol não foi bom o suficiente para separar as equipes.

Isso não é uma coincidência. É um diagnóstico.

Quando o Vitória aplicou 1x0 no Barradão, com Cacá convertendo um pênalti e Lucas Ramon sendo expulso no segundo tempo, o São Paulo não mostrou reação. Ficou com dez em campo e não conseguiu empurrar. Um time que se pretende campeão brasileiro encontra um jeito de reagir. O Tricolor ficou esperando o jogo acabar.

O problema de Roger Machado tem nome: convicção

Eu não tenho nada pessoal contra o Roger Machado. Pelo contrário — é um treinador competente, que organiza defensivamente, que não deixa o time se esfacelar. Mas desde que chegou ao Morumbi, o Tricolor virou um time de "não perde fácil". E só isso.

Média de 1,3 gol por jogo. Em onze partidas. Isso coloca o São Paulo como um dos times com menor produção ofensiva entre os que estão no G4. Para um clube que tem Luciano, que tem André Silva, que tem qualidade técnica de sobra, essa média é um acinte.

"Ganhou, mas não convenceu" virou o refrão da torcida. Só que agora está perdendo também. Então o que sobrou?

A resposta honesta é que o São Paulo está na zona de classificação para a Libertadores do ano que vem — e talvez seja esse o teto real do projeto atual. Não estou sendo pessimista. Estou sendo honesta.

Amanhã, em São Januário, a conta vai chegar

Amanhã (sábado, 18h30, Amazon Prime Video), o São Paulo enfrenta o Vasco em São Januário pela 12ª rodada do Brasileirão. O Cruz-Maltino tem 13 pontos, está em décimo terceiro e não vence há três rodadas. No papel, é um adversário em má fase.

No papel.

São Januário é uma fortaleza de barulho, pressão e calor. O Vasco, quando está encurralado em casa, vira outro bicho. E o São Paulo tem dificuldades históricas de reagir quando o ambiente fica pesado.

Se o Tricolor empatar ou perder amanhã, vai sair da rodada ainda no G4 — dependendo dos outros resultados — mas com um recado claro: a tabela está sendo mais generosa do que o futebol merece.

E tabela generosa tem prazo de validade. O Brasileirão tem 38 rodadas. Ainda são 27 pela frente. O Palmeiras não vai parar. E os outros candidatos — Flamengo, Fluminense, Bahia — também não.

Acordar cedo ou reclamar tarde

O São Paulo tem duas escolhas: acorda agora, com a lucidez de quem reconhece que está jogando aquém do seu potencial, ou espera a tabela se voltar contra ele para começar a se justificar.

Eu, como torcedora de futebol que preza pela honestidade antes do conforto, prefiro o primeiro caminho. Que Roger Machado sente com o elenco, olhe nos olhos de cada jogador e diga: isso aqui não está bom o suficiente. Que a diretoria cobre. Que a torcida pressione — dentro dos limites do que é saudável.

Terceiro lugar é ótimo. Mas terceiro lugar em abril com o Palmeiras disparado não é garantia de nada. É um aviso.

E eu prefiro que o São Paulo ouça o aviso agora, enquanto ainda dá tempo de reagir.

Amanhã, em São Januário, o Brasileirão cobra o recibo. Eu espero que o Tricolor tenha mudado de endereço.

Fonte: Playmaker Brasil / ESPN Brasil | Informações adicionais por Beira do Campo

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Neide Ferreira
Neide Ferreira

Colunista

Neide Ferreira, 58 anos de paixão pelo futebol. Colunista que não tem medo de falar o que pensa. Voz da torcida, defensora do futebol raiz e inimiga da hipocrisia no esporte.