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Brasileirão

Palmeiras deixa a Libra após acordo bilionário do Flamengo

Leila Pereira tira o Palmeiras da Libra um dia depois de o bloco assinar contrato que dá ao Flamengo entre R$ 30 mi e R$ 35 mi a mais por ano nos direitos de TV. Alviverde mira liga única conduzida pela CBF.

Renato Caldeira
Renato Caldeira
4 min de leitura
Palmeiras deixa a Libra após acordo bilionário do Flamengo
Ilustração — Allianz Parque iluminado para mais uma noite de Brasileirão, palco do alviverde que rompeu com a Libra

A Libra perdeu o seu cliente mais barulhento. O Palmeiras formalizou na terça-feira, 5 de maio de 2026, a saída da Liga do Futebol Brasileiro horas depois de o bloco assinar um aditivo que aumenta a fatia do Flamengo nos direitos de transmissão do Brasileirão. Em comunicado oficial, o clube alviverde acusou o grupo de se afastar dos próprios objetivos e disse que "atitudes egoístas — quando não predatórias — inviabilizaram a coesão necessária" para construir uma governança comum.

A presidente Leila Pereira, que vinha sinalizando o rompimento desde a virada do ano, escolheu o momento de maior atrito: 24 horas antes, a Libra havia confirmado um contrato que garante ao Flamengo entre R$ 30 e R$ 35 milhões adicionais por ano até 2029, totalizando R$ 150 milhões em quatro parcelas iguais. O argumento do bloco é que o rubro-negro entrega 30% da audiência da liga e merece a fatia ampliada. O argumento do Palmeiras é que o clube paulista bancou conquistas coletivas e não topa pagar o preço da consolidação carioca.

O acordo que estourou a relação

O contrato fechado entre Libra e Flamengo eleva a participação do Rio em parte das receitas variáveis dos direitos de transmissão até 2029, em cima do acordo bilionário que o bloco já havia firmado com a Globo. Na prática, o aumento é fruto do peso de audiência: o rubro-negro responde por cerca de 30% dos pontos do campeonato e usou esse argumento para renegociar a divisão.

A reação do Palmeiras foi imediata. O clube classificou a alteração como uma "atitude predatória" que rompeu a lógica original do bloco — criado para dar mais força aos clubes nas negociações com Globo, Disney e plataformas de streaming. Para Leila Pereira, a Libra virou apenas um cartório de interesses individuais.

Para onde vai o Palmeiras

A nota oficial do clube foi clara: o alviverde não adere à Liga Forte União nem a qualquer outro arranjo já existente. A aposta agora é a liga única conduzida pela própria CBF, projeto que Samir Xaud sinaliza desde o início do ano e que tenta unificar Libra e LFU sob coordenação da entidade.

Nos bastidores, o time paulista reforça o alinhamento com o Palácio Castro Alves. A leitura interna é que só uma liga supervisionada pela CBF pode oferecer regras de governança vinculantes — algo que a Libra, segundo o Palmeiras, nunca conseguiu impor aos próprios filiados. A janela de negociação para esse novo modelo aberto, porém, vai longe: o atual contrato dos clubes da Libra com a Globo segue vigente até 2029.

O que muda no Brasileirão

A saída do Palmeiras não tem efeito imediato no contrato em vigor — o clube continua sendo transmitido pela Globo dentro do mesmo bolo até 2029, conforme cláusulas do contrato bilionário assinado em 2024. O impacto é institucional. Sem o líder do Brasileirão, que tem chances reais de bater Flamengo, Fluminense e São Paulo na briga pelo título, a Libra perde a vitrine esportiva mais consistente dos últimos cinco anos.

Sem o alviverde paulista, a Libra fica com 13 clubes: ABC, Atlético-MG, Bahia, Brusque, Flamengo, Grêmio, Guarani, Paysandu, Red Bull Bragantino, Sampaio Corrêa, Santos, São Paulo e Vitória. A LFU continua com nomes como Internacional, Cruzeiro, Athletico-PR, Vasco, Corinthians, Botafogo e Fluminense — bloco que em tese deve ser o segundo a aceitar o convite da CBF para a liga única.

Próximos passos

Em campo, o Palmeiras de Abel Ferreira segue lidando com calendário pesado: visita o Remo no domingo (10/05) pela 15ª rodada, com o português ainda cumprindo suspensão pelo STJD, e fecha a fase de grupos da Libertadores nos dias seguintes. Fora dele, a equipe jurídica do clube já trabalha na consolidação do novo posicionamento institucional.

Para Leila Pereira, o gesto é também eleitoral. Em ano de pré-campanha pela presidência da CBF e com a renovação do estatuto do clube em curso, marcar posição contra o Flamengo dá fôlego ao discurso de "Palmeiras protagonista do futebol brasileiro" — bandeira que ela já vinha cravando desde o título da liderança no Brasileirão 2026. O custo de ficar isolado é alto. O custo de pagar pelo acordo do rival, no diagnóstico alviverde, era ainda maior.

Perguntas frequentes

Por que o Palmeiras saiu da Libra?
O clube rompeu após a Libra fechar acordo de TV que dá ao Flamengo cerca de R$ 30 a R$ 35 milhões a mais por ano até 2029. Leila Pereira classificou as decisões internas do bloco como atitudes egoístas e predatórias.
Quando o Palmeiras anunciou a saída da Libra?
O comunicado oficial foi divulgado na terça-feira, 5 de maio de 2026, pouco depois de Flamengo e Libra formalizarem o aditivo de receitas dos direitos de transmissão.
O Palmeiras vai entrar na Liga Forte União?
Não. O clube informou que não adere a outra associação no momento e prefere acompanhar a possível estruturação de uma liga única conduzida pela CBF.
Quais clubes ainda fazem parte da Libra?
Sem o Palmeiras, a Libra segue com ABC, Atlético-MG, Bahia, Brusque, Flamengo, Grêmio, Guarani, Paysandu, Red Bull Bragantino, Sampaio Corrêa, Santos, São Paulo e Vitória.

Fonte: ESPN, Lance!, Gazeta Esportiva, Palmeiras (comunicado oficial) | Informações adicionais por Beira do Campo

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Renato Caldeira
Renato Caldeira

Editor-chefe

Jornalista esportivo com 15 anos de experiência cobrindo futebol brasileiro. Ex-repórter da Gazeta Esportiva e colaborador do Lance!. Especialista em mercado da bola e bastidores dos grandes clubes.