Memphis Depay: Corinthians tem até 31 de julho para renovar
O contrato de Memphis Depay vence em 31 de julho e o Corinthians corre contra o relógio. Marcelo Paz confirmou proposta formal, o holandês aceitou ganhar menos — mas, se o vínculo expirar antes da assinatura, o transfer ban trava o registro do próprio ídolo.
Renato Caldeira5 min de leitura
O Corinthians não tem mais margem para empurrar o caso com a barriga. O contrato de Memphis Depay vence em 31 de julho, e o que era novela de bastidor virou corrida contra o calendário. A boa notícia é que o holandês já topou ganhar menos. A má é que, se a caneta demorar, quem decide o desfecho não é a mesa de negociação: é a Fifa.
Marcelo Paz, executivo de futebol do clube, abriu o jogo na segunda-feira (14) e admitiu pela primeira vez que existe proposta formal na mão do estafe do atacante. A resposta, até agora, não veio.
Memphis Depay aceitou ganhar menos — e Paz confirmou
O ponto que destrava a conversa é salarial, e Paz foi direto ao tratá-lo. Segundo o executivo, o jogador entendeu que o novo vínculo não repete o atual: "Ele entendeu claramente e aceitou que, para permanecer no clube, o contrato não vai ser repetido. Vai ser uma condição consideravelmente menor, diferente da atual".
A conta explica a insistência. Memphis recebe hoje algo em torno de R$ 3 milhões por mês, número que o Corinthians não sustenta no atual estágio financeiro. A proposta desenhada pela diretoria troca o salário-gigante por um pacote fatiado — salário menor, mais receitas de marketing, produtos, eventos e premiação. Paz fez questão de registrar que os bônus miram conquistas coletivas, não desempenho individual: "O Corinthians apresentou uma proposta para o Memphis, formal, normal. Essa proposta compõe vários itens, entre salário, entre possibilidades de recursos advindos de marketing, de produtos, de eventos, premiação".
Há ainda o passivo antigo, e aqui vale desfazer a confusão que circulou: o dinheiro não é do jogador para o clube, é do clube para o jogador. São cerca de R$ 40 milhões que o Corinthians deve a Memphis, referentes a valores atrasados. Paz confirmou que a dívida entrou na conta da renovação e seria diluída ao longo do novo contrato, com a diretoria mirando vínculo até meados de 2028.
O clube chegou a estudar bancar o salário com um patrocinador que cobrisse a conta inteira. O discurso mudou: agora a avaliação interna é de que dá para financiar o atacante sozinho, ainda que a conversa com marcas siga aberta. Não é detalhe — é a diferença entre depender de terceiros e assinar quando quiser.
O transfer ban é o relógio que ninguém consegue parar
Aqui está o nó que transforma uma negociação comum em emergência, e ele conecta diretamente com o novo transfer ban aplicado pela Fifa ao clube.
A regra tem uma fresta. Renovação ou extensão de contrato de quem já está no elenco pode ser registrada normalmente, mesmo com o clube punido — o ban atinge a entrada de atleta novo. Ou seja: assinada até 31 de julho, a permanência de Memphis passa.
O problema é o que acontece um dia depois. Se o vínculo expirar antes da assinatura, o acordo deixa de ser renovação e entra na CBF como contrato novo — e contrato novo, com ban ativo, não registra. Paz descreveu o cenário sem rodeios: "Se acaba o contrato, aí é um novo contrato, aí não pode, a menos que derrube o transfer ban".
Traduzindo: o Corinthians tem duas semanas para resolver o que arrasta há meses, ou fica com um ídolo contratado e inelegível. Um clube punido por dívida antiga pode ser impedido de registrar o credor de outra dívida antiga. É esse o tamanho da armadilha.
Férias, silêncio e o jogo do dia 23
Enquanto a caneta não anda, o jogador não treina. Memphis está de férias depois de defender a Holanda na Copa do Mundo, e Paz deixou claro que o retorno depende do acordo: "Ele está de férias. Se houver acordo, ele volta a treinar. Se não, não faz sentido". Frase fria, mas honesta.
Fernando Diniz tratou do assunto no dia 13, após o amistoso contra o Cascavel, com o tom de quem não manda no processo: disse esperar que o atacante fique, mas admitiu que a decisão passa pela diretoria, não pela comissão técnica.
O calendário não espera. O Corinthians volta a campo oficialmente no dia 23 de julho, às 19h30, contra o Remo, na Neo Química Arena, pela última rodada do primeiro turno — dois dias apenas antes do prazo fatal. Se o desfecho for negativo, o clube perde o principal nome do ataque justamente quando emenda Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores, com sete atletas de contrato curto e o elenco no ar.
O que está realmente em jogo
Não é só um camisa 10. É um teste de competência administrativa.
O Corinthians conseguiu o mais difícil: convenceu um jogador do porte de Memphis a aceitar condição consideravelmente menor num clube em dificuldade financeira e sob punição da Fifa. Esse era o obstáculo de verdade, e ele caiu. O que resta é burocracia, prazo e disposição para equacionar os R$ 40 milhões — variáveis que o próprio clube controla.
Perder o atacante agora não seria derrota de mercado: nenhum rival apareceu com proposta que explicasse a saída. Seria derrota de calendário — a mesma lógica que vem pautando o mercado brasileiro nesta janela de meio de ano, em que a data de registro decide mais que o talão de cheques.
Quinze dias. O estafe tem a proposta na mão, o jogador já disse que topa ganhar menos e a regra permite registrar a renovação. Se o Corinthians deixar o relógio bater, a explicação não caberá em nota oficial.
Fontes: Band, Gazeta Esportiva e Goal.
Tira-dúvidas
Perguntas frequentes
- Até quando vai o contrato de Memphis com o Corinthians?
- O vínculo atual do holandês com o clube se encerra em 31 de julho de 2026.
- Memphis aceitou reduzir o salário para ficar no Corinthians?
- Sim. Marcelo Paz afirmou que o atacante entendeu e aceitou que o novo contrato terá condição consideravelmente menor que a atual.
- O transfer ban impede a renovação de Memphis?
- Não, desde que seja assinada como renovação antes de 31 de julho. Se o contrato expirar, o novo vínculo entra na CBF como contrato novo e fica bloqueado pelo ban.
- Quanto o Corinthians deve a Memphis Depay?
- Paz confirmou um passivo próximo de R$ 40 milhões, referente a valores antigos, que seria diluído ao longo do novo contrato.
Fonte: Band, Gazeta Esportiva, CNN Brasil e Goal · informações adicionais por Beira do Campo
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Jornalista esportivo com 15 anos de experiência cobrindo futebol brasileiro. Ex-repórter da Gazeta Esportiva e colaborador do Lance!. Especialista em mercado da bola e bastidores dos grandes clubes.


