Hulk perto do Fluminense: Atlético-MG libera camisa 7 após sondagem
Hulk e o Atlético-MG acertaram em comum acordo o fim do ciclo no Galo. O Fluminense reativou a proposta de janeiro: contrato até 2027 com opção para 2028 e salário acima de R$ 1 milhão por mês.


O dia 28 de abril coloca um ponto de inflexão num dos enredos mais barulhentos do Brasileirão 2026. Hulk e o Atlético-MG acertaram em comum acordo o fim do ciclo do camisa 7 na Cidade do Galo, e o Fluminense voltou à mesa como destino mais provável do atacante de 39 anos. A reunião decisiva entre o jogador e a diretoria atleticana acontece nas próximas horas, com o tricolor carioca aguardando o sinal verde para destravar a contratação.
A escalada começou no domingo (26/4), antes da derrota do Galo por 4 a 0 para o Flamengo na Arena MRV. Ainda no vestiário, Hulk comunicou ao clube que havia recebido proposta de outra equipe brasileira e pediu para não ser relacionado — completar a 13ª partida pelo Atlético no Brasileirão o tornaria automaticamente impedido de defender outro time na mesma edição da Série A. Resultado: ficou de fora do clássico e também da delegação que viajou para enfrentar o Cienciano, no Peru, pela Sul-Americana.
Como a saída do Galo se desenhou
Para o Atlético-MG, é o segundo capítulo de um divórcio que parecia adiado. Em janeiro, o Fluminense já tinha desenhado um acordo com o atleta, mas a negociação naufragou diante das exigências dos mineiros. Desde então, o relacionamento foi se desgastando — Hulk falou publicamente em pendências com a diretoria e admitiu, em entrevista após jogo da Copa do Brasil, que poderia deixar o clube "no meio ou no fim do ano". A nova sondagem tricolor empurrou o desfecho.
Internamente, a leitura é a de que a decisão se impôs. O Galo vinha tropeçando dentro e fora de campo — o pesado retrato dos números do início do Brasileirão e a derrota para o Puerto Cabello na Sul-Americana já tinham acumulado pressão. Manter um líder de elenco insatisfeito virou um custo político difícil de pagar. A diretoria optou por liberá-lo e, segundo apuração do Globo Esporte, atleta e clube se aproximaram de um acerto sobre as pendências contratuais.
A proposta do Fluminense
A oferta do Fluminense não esconde nenhum truque novo. O tricolor manteve os mesmos moldes de janeiro: vínculo até dezembro de 2027, com opção de extensão até 2028, e salário acima de R$ 1 milhão por mês. É menos do que os R$ 1,8 milhão que Hulk lidera na folha do Atlético, mas a redução já estava precificada nas conversas anteriores e foi aceita pelo jogador como condição para a transferência se viabilizar.
A janela doméstica de meio de ano só abre em 20 de julho, mas o Atlético-MG sinaliza que vai liberar o atleta antes — o argumento é evitar o desgaste de mais dois meses fora dos planos. Resta acertar com a CBF a inscrição de Hulk antes do fim do primeiro turno, que ainda tem três rodadas.
O que o tricolor ganha
A leitura no Fluminense é de "reforço duplo": entra um centroavante de poder e raio de ação para destravar jogos contra blocos baixos, e abre-se espaço para Renato Augusto recuar a função. O time de Mano Menezes ocupa a terceira posição do Brasileirão, com 26 pontos, dois atrás do Flamengo e seis do líder Palmeiras. Vem de vitória sobre a Chapecoense por 2 a 1 na 13ª rodada e enxerga em Hulk a peça que falta para sustentar a briga pelo G3.
A diretoria também lê o movimento como reposicionamento de marca. O Maracanã não recebia uma contratação desse calibre desde o ciclo Diniz, e o departamento de marketing já tem campanha pronta caso o anúncio saia ainda nesta semana.
Os números que pesam na decisão
Hulk chega ao Rio com cartel difícil de superar. São 215 gols pelo Atlético-MG em todas as competições — o Fluminense, ironicamente, foi a segunda maior vítima do atacante na fase mineira. No Brasileirão 2026, são quatro gols em dez jogos, com média declinante em relação à temporada anterior, mas com participação direta em 31% dos gols do Galo na competição.
A questão física é central. Aos 39 anos, o atacante perdeu velocidade e passou a depender mais de jogo associativo. No esquema do Fluminense, isso casa: Mano Menezes prefere armar com posse próxima ao último terço, contexto em que Hulk ainda decide com bola parada e finalização de fora da área.
O que falta
Resta concluir três pontos: 1) o acerto financeiro entre Hulk e Atlético sobre eventuais pendências; 2) a rescisão formal do contrato vigente, que ia até dezembro de 2026; 3) a inscrição na 14ª rodada do Brasileirão e na lista da Copa do Brasil — janela que se fecha na próxima janela administrativa da CBF.
Se nenhuma das partes recuar, o tricolor encerra abril com um dos movimentos mais ruidosos do mercado da virada de turno. Para o Atlético-MG, fica o desafio paralelo de recompor a frente de ataque ainda nesta semana, em meio a um calendário que exige resposta no Brasileirão e na Sul-Americana. O radar de transferências de 27/04 já mapeou o nome de Memphis como alvo possível — agora vira urgência.
A bola está com Hulk e o Galo. O Fluminense espera o telefone tocar.
Perguntas frequentes
- Hulk vai para o Fluminense?
- As tratativas estão avançadas. O Atlético-MG liberou o atacante para negociar e o Fluminense reativou a proposta apresentada em janeiro, com Hulk próximo de assinar com o tricolor carioca.
- Por que o Atlético-MG afastou o Hulk?
- Após sondagem do Fluminense, atleta e diretoria decidiram em comum acordo encerrar o ciclo. Hulk foi cortado do clássico contra o Flamengo e da viagem para a Sul-Americana enquanto a saída é definida.
- Qual é a proposta do Fluminense?
- Contrato até 2027, com opção de extensão até 2028, e salário acima de R$ 1 milhão por mês — a mesma estrutura oferecida em janeiro, abaixo dos R$ 1,8 milhão que o jogador recebia no Galo.
- Hulk pode jogar pelo Fluminense no Brasileirão 2026?
- Sim. Por isso o Atlético-MG não relacionou o atacante para a 13ª rodada — completar o jogo o impediria de defender outro clube na mesma edição do campeonato.
Fonte: Globo Esporte, CNN Brasil, Lance, O Tempo, Itatiaia | Informações adicionais por Beira do Campo

Editor-chefe
Jornalista esportivo com 15 anos de experiência cobrindo futebol brasileiro. Ex-repórter da Gazeta Esportiva e colaborador do Lance!. Especialista em mercado da bola e bastidores dos grandes clubes.


