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Atlético-MG: os números do pior início no Brasileirão em anos

Com 2 pontos em 4 rodadas, zero vitórias e 8 gols sofridos, o Galo vive o começo mais difícil no Brasileirão em pelo menos nove anos. Os dados revelam onde o time de Sampaoli está falhando.

Thiago Borges
Thiago Borges
6 min de leitura
Atlético-MG: os números do pior início no Brasileirão em anos
Atlético-MG em campo pelo Brasileirão 2026 — Foto: Reprodução / Itatiaia

Começar o Brasileirão com 2 pontos em 12 possíveis é, no mínimo, preocupante. Para um clube com o histórico do Atlético-MG, é um alarme que não pode ser ignorado. Quatro rodadas, zero vitórias, dois empates e duas derrotas. O Atlético-MG de Jorge Sampaoli ocupa a 17ª colocação da Série A 2026 — zona de rebaixamento — com aproveitamento de 16,7%.

Os números repetem, e em alguns aspectos superam, o começo catastrófico de 2025. De acordo com dados levantados pela Itatiaia e confirmados pelo No Ataque, este é o pior início do Galo no Brasileirão em pelo menos nove anos. A pergunta que ninguém no clube quer responder é: o que está acontecendo com o Atlético-MG?

O que os números dizem sobre o Galo em 2026

A tabela abaixo não deixa margem para interpretação favorável:

RodadaJogoPlacarLocal
Atlético-MG x Palmeiras2 x 2Arena MRV
Bragantino x Atlético-MG1 x 0Bragança Paulista
Atlético-MG x Remo3 x 3Arena MRV
Grêmio x Atlético-MG2 x 1Porto Alegre

Resumo: 0 vitórias, 2 empates, 2 derrotas. 6 gols marcados, 8 sofridos, saldo de -2.

O roteiro desses quatro jogos conta uma história. O empate com o Palmeiras na abertura ainda podia ser visto como razoável — afinal, o Verdão é candidato ao título. Mas a derrota para o Bragantino fora de casa já acendeu o alerta. Depois veio o episódio mais emblemático: 3 a 3 com o Remo em plena Arena MRV. Uma equipe da Série B arrancou o empate em Belo Horizonte, e Sampaoli não poupou palavras na análise pós-jogo, apontando "erros infantis e ingênuos" na marcação. A quarta rodada confirmou o padrão: derrota por 2 a 1 para o Grêmio, que vive fase positiva após conquistar o Gauchão diante do Internacional.

Fragilidade defensiva: a raiz do problema

Com 8 gols sofridos em quatro jogos, a média de 2 gols por partida é a estatística mais alarmante do Atlético em 2026. Mas o problema vai além do Brasileirão.

Ao longo de toda a temporada — incluindo pré-temporada e estaduais —, o Galo sofreu gols em 9 dos primeiros 10 jogos disputados: ao todo, 12 gols tomados. A análise publicada pelo O Tempo apontou que esse número escancara uma fragilidade estrutural, não episódica.

A mudança tática de Sampaoli para um sistema com dois zagueiros centrais — Ruan e Junior Alonso — não produziu os resultados esperados. O sistema apresenta falhas de cobertura, especialmente contra ataques que exploram os espaços nas costas dos laterais e nas transições rápidas.

A dupla defensiva deveria oferecer solidez. O que se vê, porém, é uma linha que divide atenções entre construção e cobertura sem fazer bem nenhum dos dois. Junior Alonso, peça-chave no título de 2021, acumula atuações irregulares. Ruan marca gols, mas protagoniza falhas que custam pontos.

Para ter um parâmetro do que ocorre em campo: a análise das primeiras rodadas do Brasileirão 2026 mostra que o campeonato é o mais goleador em anos neste início — o que torna a vulnerabilidade defensiva do Galo ainda mais arriscada no contexto atual.

Comparação histórica: quando o Galo esteve tão mal?

Para encontrar um início tão difícil do Atlético-MG no Brasileirão, é preciso recuar no mínimo até 2025 — exatamente um ano atrás — quando o time também abriu a competição sem vitórias nas quatro primeiras rodadas. Naquele ano, a primeira vitória veio na quinta rodada.

Algumas fontes são mais enfáticas na comparação: o No Ataque aponta que seria necessário voltar a 1994 para encontrar um início pior — 1 empate e 3 derrotas nas quatro primeiras rodadas, no ano da chamada "Selegalo". Independentemente do recorte exato, o diagnóstico converge: o Atlético está vivendo uma largada muito abaixo do esperado para um clube de seu tamanho.

O aproveitamento de 16,7% em 2026 coloca este início como o segundo pior do clube no Brasileirão no século 21, atrás apenas da campanha de 2002.

O contraste com 2024 é brutal. O Galo disputou as finais da Copa do Brasil (derrota para o Flamengo) e da Copa Libertadores (derrota para o Botafogo). Chegou longe, brigou até o fim em todas as frentes, mas voltou para casa sem nenhum título relevante. A ressaca de uma temporada tão desgastante — física e emocionalmente — pesa sobre elenco, comissão técnica e torcida.

Projeções e o jogo de hoje contra o Internacional

O Atlético-MG enfrenta o Internacional nesta quarta-feira (11) pela 5ª rodada do Brasileirão. É o jogo do ponto de inflexão — ou o começo de uma queda mais profunda.

O Inter também passa por turbulência, mas tem aproveitamento superior ao Galo nestas primeiras rodadas. Uma derrota em casa hoje empurraria o Atlético ainda mais fundo na tabela, tornando a recuperação estatisticamente mais improvável. Segundo dados históricos da Série A, clubes que chegam à 6ª rodada com aproveitamento abaixo de 20% têm alto risco de permanência na zona de rebaixamento por tempo prolongado.

Uma vitória, por outro lado, abriria uma janela real de recuperação: o Galo chegaria a 5 pontos e começaria a se distanciar do Z4.

CenárioPontos após 5 rodadasPosição estimada
Vitória vs Inter513ª–15ª
Empate vs Inter316ª–18ª
Derrota vs Inter218ª–20ª

A pressão na Arena MRV é real. A torcida cobra, e com razão.

Conclusão analítica: o tempo corre contra o Galo

Dois pontos em quatro jogos, oito gols sofridos, saldo negativo e zona de rebaixamento. Os números do Atlético-MG no Brasileirão 2026 são objetivos — e preocupantes. Sampaoli tem trabalho pela frente para reorganizar o sistema defensivo antes que o buraco fique grande demais para ser tapado.

A história mostra que recuperações são possíveis: em 2025, o Galo saiu de situação semelhante e terminou o Brasileirão em posição satisfatória. Mas 2026 tem uma nuance adicional: o calendário não perdoa, a janela doméstica fecha em breve — como alertou o Radar de Transferências desta semana —, e o elenco precisa de ajustes que demandam tempo que o clube talvez não tenha.

Os próximos jogos vão dizer muito sobre a real capacidade de resposta deste grupo. Por enquanto, os dados falam mais alto do que qualquer declaração de vestiário.

Fonte: Itatiaia / No Ataque / O Tempo / Lance! | Informações adicionais por Beira do Campo

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Thiago Borges
Thiago Borges

Analista de Dados

Cientista de dados e fanático por futebol. Usa estatísticas avançadas (xG, xA, PPDA) para desvendar o que os olhos não veem. Transforma números em histórias.