O melhor do futebol brasileiro, todos os dias
Beira do Campo
BEIRADO CAMPO
Brasileirão

Grêmio: 100 dias sem vitória fora de casa antes do Athletico-PR

Tricolor não vence longe de Porto Alegre desde a estreia da temporada e chega à 14ª rodada do Brasileirão sem a artilharia de Carlos Vinícius, sem Arthur Melo e com Luís Castro suspenso para visitar o Athletico-PR na Arena da Baixada.

Thiago Borges
Thiago Borges
6 min de leitura
Grêmio: 100 dias sem vitória fora de casa antes do Athletico-PR
Tricolor gaúcho chega a 100 dias sem vencer fora — Foto: Reprodução / Diogo Rossi Reporter

Cem dias é um número redondo demais para passar batido. O Grêmio acordou nesta sexta-feira (1º) sem vencer um único jogo fora de Porto Alegre desde 22 de janeiro, quando bateu o Guarany de Bagé na estreia do Gauchão. De lá pra cá, o tricolor passou pelo Estadual, pela Pré-Libertadores, pela Sul-Americana e por treze rodadas do Brasileirão sem somar três pontos longe da Arena ou do Olímpico — e amanhã (2), pela 14ª rodada do Brasileirão 2026, viaja para Curitiba para enfrentar o Athletico-PR na Arena da Baixada às 20h30, sem o artilheiro Carlos Vinícius, sem Arthur Melo e sem o técnico Luís Castro no banco. Os números não são coincidência: são padrão.

Os números que sustentam o tabu

A leitura mais óbvia está no recorte do Brasileirão. Em quatro jogos como visitante na Série A 2026, o Grêmio somou um único ponto — o empate com a Chapecoense, na 6ª rodada, em Itajaí. Os outros três compromissos longe de casa terminaram em derrota: Fluminense, São Paulo e Vasco devolveram zero pontos para Porto Alegre. O contraste com o desempenho em casa é gritante: três vitórias e um empate diante da torcida tricolor, com o Olímpico funcionando como uma das fortalezas do campeonato.

Esse padrão não é exclusividade da gestão Luís Castro. Nas últimas três edições do Brasileirão (2023, 2024 e 2025), o Grêmio venceu apenas 7 vezes em 42 jogos como visitante. É uma taxa de 16,7% de vitórias fora — pior do que qualquer clube grande do país no recorte e abaixo do que se espera de uma equipe que oscila entre topo e meio da tabela. Em outras palavras: o problema do tricolor longe da Arena já passou de circunstância e virou identidade.

O que Luís Castro construiu — e onde a estrutura cede

Esta análise não é a primeira em que olhamos para os números do Grêmio em 2026. Quando o time emendou oito jogos invicto sob Luís Castro, os dados mostravam um sistema defensivo mais consistente, transição rápida e o segundo melhor aproveitamento ofensivo da Série A naquele recorte. Aquele Grêmio funcionava porque jogava em casa: a sequência incluía cinco partidas no Olímpico contra duas fora — e nas duas saídas o time empatou.

Com o avanço da temporada, a fragilidade como visitante voltou a aparecer. Em abril, depois da derrota para o Cruzeiro, o tricolor flertou com a zona de rebaixamento e os números acenderam o sinal vermelho: 14 gols sofridos em dez rodadas, sequência sem vitória e dependência ofensiva quase total de Carlos Vinícius. O próprio Luís Castro, em coletiva, classificou o desempenho fora como "pobre" — um adjetivo raro vindo de um treinador europeu acostumado a defender publicamente o trabalho.

A leitura tática casa com os dados. Fora de casa, o Grêmio entrega o controle do jogo ao adversário muito mais rápido. Sem o estímulo da torcida, a posse cai, a linha de marcação recua e o time passa a depender de bola parada e contra-ataque. Quando esse plano B falha — e contra equipes do meio para cima ele tem falhado —, o resultado é o que mostra o histórico de 2026: nenhuma vitória, três derrotas, um empate.

A escalação possível na Arena da Baixada

A logística do jogo de sábado piora ainda mais o cenário. O Grêmio chega a Curitiba sem Carlos Vinícius, vice-artilheiro do Brasileirão com 7 gols, suspenso pelo terceiro amarelo. Junto dele, Viery também cumpre suspensão automática. Arthur Melo segue fora por lesão muscular, com previsão de retorno em três semanas, e Amuzu permanece no departamento médico se recuperando de problema no tornozelo. Para completar, Luís Castro foi expulso na rodada anterior e cumpre suspensão — assistirá ao jogo da tribuna.

Sem o referencial técnico no banco, sem o homem-gol e sem o segundo zagueiro titular, o auxiliar deve mandar a campo um time mais reativo. Pavón ou Aravena assumem a função de centroavante, Lucas Esteves volta na lateral, e o meio-campo improvisa para suprir a ausência de Arthur. É um cenário que reforça a lógica defensiva fora de casa, mas também limita as opções de criação contra um Athletico-PR que joga em casa — e que tampouco vive temporada brilhante.

O Athletico-PR não está cheio, mas joga na Arena da Baixada

Do outro lado, o Furacão também tem desfalques importantes: o volante Luiz Gustavo e o meia Zapelli pegaram terceiro amarelo no jogo contra o Vitória e ficam fora da rodada. O volante Jadson e o atacante Julimar são dúvidas — ele se recupera de lesão no pé esquerdo, e o atacante de entorse no tornozelo. Ainda assim, o time paranaense mantém a estrutura competitiva que já apareceu na nossa cobertura quando os números colocaram o Athletico-PR no segundo lugar do Brasileirão em uma das primeiras leituras analíticas da temporada.

A Arena da Baixada também conta. O estádio é um dos mais difíceis do país para visitantes que dependem do controle territorial: o gramado é mais estreito que a média, a torcida do Athletico mantém pressão constante e a equipe é treinada para explorar a transição rápida. Tudo o que o Grêmio precisa para tropeçar, o Athletico-PR oferece em série.

O peso do tabu

Há quem diga que estatística é circunstância e que dia a dia o time só precisa "entrar concentrado". Os dados desafiam essa leitura. Cem dias sem vencer fora não é azar — é tendência consolidada. Sete vitórias em 42 jogos como visitante nas últimas três edições do Brasileirão também não é. O Grêmio de Luís Castro tem quase os mesmos problemas estruturais do Grêmio de Renato Portaluppi e do Grêmio de Tiago Nunes nesse recorte: dificuldade de imposição de jogo longe de Porto Alegre, fragilidade defensiva sob pressão ambiental e dependência de jogadores específicos para criar.

Quebrar o tabu em Curitiba, no estádio do Athletico-PR, sem o artilheiro e sem o treinador no banco, seria um movimento contra a estatística e contra a história recente. Não é impossível — futebol não é planilha —, mas o que os números dizem é que a probabilidade joga, hoje, do outro lado da Arena da Baixada. Para sair da inércia, o Grêmio precisa de algo que não aparece na escalação provável: capacidade de jogar fora de casa como joga dentro. Em treze rodadas, ainda não conseguiu. Em 100 dias, também não.

Perguntas frequentes

Há quanto tempo o Grêmio não vence fora de casa?
O Grêmio chegou em 1º de maio de 2026 a 100 dias sem vitória como visitante, contando desde o triunfo sobre o Guarany de Bagé na estreia do Gauchão.
Quantas vitórias o Grêmio tem fora de casa no Brasileirão 2026?
Nenhuma. O tricolor soma apenas um empate (com a Chapecoense) em quatro jogos disputados longe de Porto Alegre na Série A 2026.
Quem está fora do Grêmio contra o Athletico-PR?
Arthur Melo (lesão muscular) e Amuzu (tornozelo) seguem no departamento médico. Carlos Vinícius e Viery cumprem suspensão automática e o técnico Luís Castro foi expulso e não fica no banco.
Onde assistir Athletico-PR x Grêmio?
A partida da 14ª rodada do Brasileirão tem transmissão exclusiva da Amazon Prime Video, sábado, 2 de maio, às 20h30 (Brasília), na Arena da Baixada.

Fonte: Diogo Rossi Reporter, Portal do Gremista, Grêmio News, gremio.net | Informações adicionais por Beira do Campo

#brasileirao-2026#gremio#estatisticas#luis-castro#athletico-pr#carlos-vinicius#fora-de-casa
Thiago Borges
Thiago Borges

Analista de Dados

Cientista de dados e fanático por futebol. Usa estatísticas avançadas (xG, xA, PPDA) para desvendar o que os olhos não veem. Transforma números em histórias.