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França 3x1 Colômbia: Doué brilha e o banco de Deschamps assusta a Copa 2026

Com Mbappé no banco, a França goleou a Colômbia por 3 a 1 em Landover: Doué foi decisivo com dois gols e Deschamps mostrou que os Bleus têm reservas de outro nível.

Marcos Vinícius Santos
Marcos Vinícius Santos
5 min de leitura
França 3x1 Colômbia: Doué brilha e o banco de Deschamps assusta a Copa 2026
Ilustração — Celebração francesa no Northwest Stadium após a vitória sobre a Colômbia

Havia algo simbólico na cena. Kylian Mbappé, o maior nome do futebol francês desta geração, ficou sentado no banco do Northwest Stadium enquanto seus reservas desmontavam a Colômbia com uma facilidade quase arrogante. Três a um. Dois gols de Désiré Doué. Manchete pronta. E a mensagem de Didier Deschamps para o mundo, enviada com a elegância discreta de quem não precisa gritar: a França que vai ao Mundial de 2026 não depende de um herói.

A vitória sobre a Colômbia, neste domingo em Landover, Maryland, encerrou uma Data FIFA histórica para os Bleus. Em sete dias nos Estados Unidos, a seleção francesa venceu dois dos principais candidatos ao título — primeiro o Brasil, por 2 a 1 em Boston, agora a Colômbia — com lineups distintos, ritmos distintos e a mesma dominância inquietante.

Os gols que decretaram a superioridade francesa

A Colômbia até esboçou uma reação no início, com James Rodríguez tentando comandar a construção em campo e Luis Díaz ameaçando nas laterais. Mas a França foi mais rápida para chegar ao gol.

Aos 29 minutos, Désiré Doué recebeu dentro da área e bateu com o pé direito sem hesitar: 1 a 0. Era a confirmação do jovem de 20 anos como um dos nomes mais quentes do futebol europeu. Doze minutos depois, Marcus Thuram apareceu no segundo pau para cabecear com precisão após passe de Maghnes Akliouche: 2 a 0 no intervalo.

O segundo tempo confirmou o prognóstico. Aos 56', Thuram achou Doué em contra-ataque rápido e o atacante do PSG fechou seu show particular: 3 a 0. A Colômbia ainda diminuiu com Jaminton Campaz, aos 77', num chute de pé esquerdo após assistência de Jefferson Lerma. Placar final: 3 a 1.

Doué: o homem do momento

Em nossa análise pré-jogo, a questão era saber se a Colômbia conseguiria equilibrar o jogo na ausência de Mbappé. A resposta foi não — e Doué é o principal motivo.

Com apenas 20 anos, o atacante nascido em Angers tem algo que os técnicos adoram e os defensores temem: ele decide em espaços pequenos e não muda de velocidade quando entra na área. O jornal britânico NBC Sports destacou que a França "deslumbrou e mostrou profundidade de elenco impressionante" com este resultado. Dois gols, uma atuação completa, e a certeza de que o banco de reservas da França para a Copa tem um nível absurdo.

Ao lado de Doué, Rayan Cherki também chamou atenção pelo toque e visão de jogo. No meio, a dupla de "reservas" formada por N'Golo Kanté e Warren Zaïre-Emery foi eficiente na marcação e na distribuição. Ainda ficaram no banco Ekitike, Camavinga e Kolo Muani. O banco de reservas da França vai à Copa 2026 com opções que seriam titulares em qualquer outra seleção do torneio.

A Colômbia que vai ao Mundial perdendo certezas

Do lado colombiano, o jogo foi um banho de realidade. A seleção de Lorenzo chegou ao Estados Unidos embalada por uma invencibilidade de 15 anos contra adversários europeus — e saiu de Washington com a sequência encerrada e mais perguntas do que respostas.

James Rodríguez, com 34 anos, ainda tenta ser o maestro que o futebol colombiano precisa. Na quinta, havia caído diante da Croácia por 2 a 1. No domingo, virou estatística em mais uma derrota. James é, ao mesmo tempo, a maior referência da seleção e a maior incógnita: seu físico aguenta o ritmo do Mundial?

Luis Díaz trabalhou muito mas encontrou Hernández e Saliba formando uma muralha defensiva que raramente vacilou. O único momento de brilho colombiano veio tarde demais — o gol de Campaz, bonito na forma, mas inócuo no resultado.

Os números do jogo

EstatísticaColômbiaFrança
Posse de bola43,9%56,1%
Finalizações no gol35
Gols13
Autor(es) dos golsCampaz (77')Doué (29', 56'), Thuram (41')

A posse equilibrada no papel esconde uma dominância francesa na prática: os Bleus controlaram os momentos de pressão e foram mais eficientes em cada uma das finalizações que chegaram com perigo.

O que vem pela frente

Com a Data FIFA encerrada, ambas as seleções retornam às suas ligas antes do reencontro mais esperado do planeta: a Copa do Mundo de 2026, que começa em junho nas cidades dos Estados Unidos, Canadá e México.

Para a França, a janela de março foi quase um exercício de intimidação. Deschamps testou, girou o elenco, venceu dois jogos de alto nível e saiu sem lesionados graves. A sensação que fica é de uma seleção que encontrou o equilíbrio entre juventude — Doué, Cherki, Zaïre-Emery — e experiência — Kanté, Thuram, Giroud no banco como liderança.

Para a Colômbia, a ida ao Mundial segue como objetivo possível, mas os dois jogos desta Data FIFA expuseram fragilidades. A defesa oscilou, a criação ainda depende demais de James, e Luis Díaz precisa de mais apoio para fazer diferença contra as grandes seleções.

Na mesma janela de março, o México também recebeu Portugal no estádio Azteca em outro amistoso de peso para o Mundial. O futebol preparatório está cada vez mais parecido com o torneio de verdade — os gigantes não perdoam mais.

O Northwestern Stadium se cala. A bandeira tricolor da França ondeou em Landover. Doué voltou para Paris com dois gols e uma certeza que 2026 pode ser dele também. Mbappé assitiu do banco — e provavelmente sorriu.

Fonte: VAVEL, World Soccer Talk, NBC Sports, Bolavip | Informações adicionais por Beira do Campo

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Marcos Vinícius Santos
Marcos Vinícius Santos

Correspondente Internacional

Morou 8 anos na Europa cobrindo as principais ligas. Fluente em inglês, espanhol e italiano. Acompanha de perto brasileiros no exterior e os bastidores do futebol europeu.