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Fluminense x Operário: Maracanã decide oitavas após 0x0 na ida

Pressionado, com quatro jogos sem vencer e três desfalques pesados, o Fluminense recebe o Operário-PR no Maracanã pela volta da quinta fase da Copa do Brasil 2026. Depois do 0 a 0 em Ponta Grossa, qualquer novo empate manda a vaga para os pênaltis.

Thiago Borges
Thiago Borges
9 min de leitura
Fluminense x Operário: Maracanã decide oitavas após 0x0 na ida
Fluminense recebe o Operário-PR no Maracanã pela volta da 5ª fase da Copa do Brasil — Foto: Reprodução / Fluminense FC

Tem terça-feira de mata-mata no Maracanã, e o roteiro não poderia ser mais delicado para o Fluminense. Às 21h30, o Tricolor recebe o Operário-PR pela volta da quinta fase da Copa do Brasil 2026, depois do 0 a 0 que arrancou em Ponta Grossa, em 23 de abril. O número que importa é simples: com qualquer novo empate, a vaga nas oitavas é decidida nos pênaltis. E o que pesa fora da planilha é ainda mais delicado — quatro jogos sem vencer, técnico contestado, três desfalques cravados.

JogoFluminense x Operário-PR
CompetiçãoCopa do Brasil 2026 – 5ª Fase (Volta)
DataTerça-feira, 12 de maio de 2026
Horário21h30 (Brasília)
LocalEstádio do Maracanã – Rio de Janeiro (RJ)
TransmissãoAmazon Prime Video (streaming)
Jogo de IdaOperário-PR 0x0 Fluminense (23/04, Germano Krüger)
CritérioQuem vencer avança; novo empate vai aos pênaltis

O que os números dizem sobre o Fluminense

A boa notícia para o torcedor tricolor é que o time conhece o caminho da Copa do Brasil. A má notícia é tudo o que está em volta dela. O Fluminense soma apenas duas vitórias nos últimos dez jogos somando Brasileirão, Libertadores e Copa do Brasil — um aproveitamento de 23% de pontos disputados que basta para entender por que a comissão entra no Maracanã sob pressão. O último resultado, o 2 a 2 com o Vitória, em 9 de maio, foi exemplo claro do problema: o time abriu o placar com John Kennedy, sofreu o empate em pênalti convertido por Renato Kayzer e levou o segundo gol em jogada simples de Renê.

A leitura quantitativa do desempenho recente também acende alerta na criação. Desde o 1 a 0 sobre o Atlético-MG, em 30 de março, o Fluminense é o time da Série A com a maior queda em xG (gols esperados) por jogo entre os clubes que disputam Copa do Brasil — saiu da casa de 1,7 para 1,1, segundo dados públicos consolidados. O alvo dessa queda tem nome: a ausência de Martinelli no controle do meio-campo, somada à fase irregular de Lucho Acosta, retirou do time o jogador que mais carregava bola para frente e o passador que mais ditava o ritmo. A ida em Ponta Grossa traduziu o problema: o Tricolor finalizou apenas três vezes na direção do gol em 90 minutos.

Ainda assim, o histórico recente do Maracanã em mata-mata pode ser o ancoramento de Zubeldía. Em 2025, sob diferentes técnicos, o Fluminense ganhou cinco das sete partidas eliminatórias jogadas em casa — e, em 2026, a tendência continua: duas vitórias e um empate no estádio em Copa do Brasil e Libertadores somadas. Esse é o argumento que sobra para o vestiário em uma semana de cobrança intensa.

Operário-PR: o problema que o Fluminense não pode subestimar

Do outro lado vem um adversário de Série B com campanha sólida e treinador valorizado no mercado. Sob comando de Luizinho Lopes, o Operário-PR acumula 10 vitórias, 7 empates e 2 derrotas nos 19 jogos do ciclo — números que colocaram o time entre as melhores defesas da segunda divisão na temporada e, mais relevante para esta terça, transformaram o clube em pesadelo para favoritos em mata-mata.

Apenas para dar dimensão: na quarta fase, o Operário eliminou o Athletico-PR no Couto Pereira; antes disso, despachou o Volta Redonda fora de casa. O DNA é claro — linhas curtas, marcação em zona, transição rápida com Boschilia e Aylon. O resultado de Ponta Grossa não foi acidente, foi planejamento: o time fez de tudo para anular o meio-campo tricolor, e conseguiu.

A pergunta que importa é se esse mesmo desenho aguenta o Maracanã lotado por 90 minutos. O retrospecto sugere que sim — em 2025, o Operário foi a quinta fase também enfrentando uma equipe de Série A e ficou nos pênaltis. A diferença, agora, é que a pressão por gols é toda do Fluminense, e a fórmula para o esmeraldino segue idêntica: blindar o eixo central, esperar o erro e correr no espaço deixado por Guga e Arana quando subirem.

Escalações prováveis

Os três desfalques que mudam o desenho do Fluminense

O peso do que falta no banco é parte do que define o jogo. Martinelli cumpre boletim que prevê retorno em seis a oito semanas, após lesão grau 3 no reto femoral da coxa esquerda sofrida na partida em Mendoza pela Libertadores. Germán Cano segue em recuperação muscular, sem prazo definido. Matheus Reis continua no departamento médico após cirurgia no joelho.

Some-se a esse trio o caso de Hulk: anunciado em 5 de maio como reforço para o segundo semestre, o atacante ex-Galo só pode ser inscrito na Copa do Brasil depois da abertura da janela de meio de ano. Logo, ele não conta para esta noite. Resultado prático: Zubeldía precisa montar o ataque com John Kennedy de referência, Canobbio aberto pela esquerda e Savarino pela direita — um time mais móvel do que pesado na área, o que pode encaixar bem contra uma defesa baixa, mas também depende muito da decisão individual quando o jogo travar.

A escolha do meio-campo é o ponto que tem mais espaço para variação. Sem Martinelli, o trio Facundo Bernal–Hércules–Lucho Acosta repete o desenho do empate com o Vitória. Lucho liderou em passes progressivos no jogo, mas perdeu posse em momentos-chave; um sinal de que a comissão pode antecipar a entrada de Riquelme Felipe se o jogo escapar.

Os números do confronto histórico

O retrospecto serve mais para narrativa do que para previsão, mas vale registro. Fluminense e Operário-PR já se enfrentaram em oito ocasiões oficiais ao longo da história: foram três vitórias tricolores, três do clube paranaense e dois empates. No Maracanã, em jogos eliminatórios, o Fluminense venceu os dois confrontos que disputou contra o adversário — ambos em 2021, na Copa do Brasil daquele ano, com placares de 1 a 0 e 2 a 1.

Mais relevante: nos últimos 12 jogos do Fluminense em casa no Maracanã pela Copa do Brasil, foram nove vitórias, dois empates e apenas uma derrota — para o Internacional, em 2024, em jogo decidido nos pênaltis. O dado importa porque sustenta a tese de Zubeldía sobre o peso do mando no torneio: o Tricolor é, historicamente, time que sabe finalizar séries em casa.

Pontos táticos para acompanhar

A primeira chave é como o Fluminense vai romper a primeira linha de pressão do Operário. Em Ponta Grossa, a marcação alta esmeraldina conseguiu cortar a saída pelo lado direito e empurrar o Tricolor para jogadas centralizadas — exatamente onde a defesa do time da casa é mais forte. Esperar a mesma postura no Maracanã é razoável, e a saída costuma passar por Guga e Arana subirem juntos para gerar superioridade numérica nos corredores.

A segunda chave é o jogo aéreo. Sem Cano, o Fluminense perdeu o referencial de área, e John Kennedy não tem o mesmo poder de cabeçada. Por outro lado, o Operário concedeu quatro de seus últimos cinco gols sofridos em bola parada. Resultado: faltas laterais e escanteios cobrados por Lucho Acosta podem ser a rota mais eficiente para o gol decisivo.

A terceira chave está na gestão da segunda metade. Se o placar continuar em branco aos 70, o jogo entra em terreno conhecido do Operário — esperar pênaltis. Zubeldía precisa decidir cedo se vai aumentar o número de homens no ataque com Riquelme Felipe e Lavega ou se aposta na manutenção do controle territorial. A leitura do banco vai dizer muito sobre a confiança que o técnico ainda tem no time.

Palpite

A análise dos dados pesa, mas a leitura prática também. O Fluminense joga em casa, contra adversário da Série B, com 35 mil ingressos vendidos antecipadamente — o Maracanã estará povoado, mesmo com toda a crise. O elenco, com todos os problemas, segue sendo superior ao adversário, e a Copa do Brasil costuma cobrar dos times grandes que entreguem o mínimo nessas situações.

A aposta aqui é vitória do Fluminense por 2 a 0, com gol em bola parada no primeiro tempo e ampliação na segunda etapa, em jogada construída pela esquerda. Mas o roteiro depende muito do primeiro lance que sair do zero: se o Operário aguentar o gol até os 35 do segundo tempo, a tensão sobe, o Maracanã treme e a história das oitavas se decide na roleta dos pênaltis. Para um time pressionado como o atual Tricolor, a margem é estreita — qualquer deslize transforma a noite em pesadelo.

Para quem quer revisar o panorama do mata-mata, vale conferir a análise da semana de crise da quinta fase e a cobertura do sorteio que colocou os times da Série A em campo. É noite de definir quem segue no torneio mais democrático do calendário — e quem volta a se concentrar apenas no Brasileirão.

Perguntas frequentes

Que horas é Fluminense x Operário-PR hoje?
A partida está marcada para esta terça-feira (12/05), às 21h30 (Brasília), no Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro.
Onde assistir Fluminense x Operário-PR ao vivo?
O jogo terá transmissão exclusiva do Amazon Prime Video, em streaming para assinantes em todo o Brasil.
Como ficou o jogo de ida entre Operário-PR e Fluminense?
Os times empataram em 0 a 0 no Estádio Germano Krüger, em Ponta Grossa, em 23 de abril. Quem vencer hoje avança às oitavas; novo empate manda a decisão para os pênaltis.
Quais são os desfalques do Fluminense?
Estão fora Martinelli (lesão grau 3 na coxa, fora por seis a oito semanas), Germán Cano e Matheus Reis, ambos em recuperação no departamento médico. Hulk, anunciado em maio, só pode ser inscrito após a abertura da segunda janela.
Qual a escalação provável do Fluminense?
Fábio; Guga, Jemmes, Freytes, Guilherme Arana; Facundo Bernal, Hércules, Lucho Acosta; Savarino, Canobbio e John Kennedy.

Fonte: Fluminense FC / Gazeta Esportiva / Lance! | Informações adicionais por Beira do Campo

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Thiago Borges
Thiago Borges

Analista de Dados

Cientista de dados e fanático por futebol. Usa estatísticas avançadas (xG, xA, PPDA) para desvendar o que os olhos não veem. Transforma números em histórias.