Fluminense 3x1 Corinthians: Tricolor é vice-líder, Timão afunda na crise
Com gols de John Kennedy, Hércules e Castillo, o Fluminense dominou o Corinthians no Maracanã, igualou o Palmeiras na liderança e aprofundou a crise do Timão, que vai a 8 jogos sem vencer.


O Maracanã não estava lotado — 24.701 pagantes é um número que o estádio guarda só para dias de chuva — mas o espetáculo foi do Fluminense. Na noite de quarta-feira (01/04), o Tricolor desmontou o Corinthians com autoridade: 3 a 1, com um a mais por quase 40 minutos, sem sustos reais além do gol de honra nos acréscimos. O resultado colocou o Fluminense nos 19 pontos, empatado com o Palmeiras no topo do Brasileirão 2026. O Corinthians, por sua vez, afundou de vez: oito jogos sem vencer na Série A, e uma folha de rodapé na tabela onde antes havia orgulho.
Primeiro tempo: domínio tricolor e dois gols bem construídos
O pré-jogo já sinalizava desequilíbrio: Fluminense confortável no G-4, Corinthians sem vencer há rodadas seguidas, lista de desfalques que incluía Memphis Depay, Hugo Souza, André Carrillo e Raniele — entre lesões, seleções e suspensões. Mas anúncio é uma coisa, confirmação no campo é outra.
O Fluminense confirmou. Desde o apito inicial, a equipe de Zubeldía pressionou o Timão no seu campo defensivo, trocou passes em velocidade e sufocou qualquer tentativa de saída. Rodrigo Garro, que seria o ponto de criação do Corinthians, foi desligado pela marcação de Martinelli e Hércules.
O primeiro gol saiu aos 19 minutos: Kevin Serna puxou em velocidade pelo lado esquerdo, lançou John Kennedy na área e o centroavante driblou o goleiro Kauê com frieza antes de empurrar para o fundo. 1 a 0. Simples, letal.
O Timão tentou reagir. Yuri Alberto pediu espaço, Breno Bidon tentou aparecer, mas a defesa tricolor — com Jemmes e Freytes seguros — bloqueou tudo. Aos 47 minutos, já nos acréscimos do primeiro tempo, Serna chutou, a bola bateu na trave e Hércules pegou o rebote sem vacilar: 2 a 0. O intervalo chegou como sentença.
A expulsão de Allan e o jogo que não tinha mais volta
Se o primeiro tempo era difícil para o Corinthians, o segundo se transformou em missão impossível. Aos 54 minutos, após discussão com Lucho Acosta, Allan fez um gesto obsceno na direção do colombiano — agarrou a própria genitália em provocação aberta. O árbitro Davi de Oliveira Lacerda não pegou ao vivo, mas o VAR chamou e foi ao monitor. Expulsão. Artigo 12: conduta ofensiva e insultante.
O episódio já foi analisado com toda a franqueza nesta quinta-feira aqui no portal. O gesto em si diz muito sobre o estado emocional do time. Com dez homens em campo, Dorival Júnior ainda tentou ajustar — Charles e André até pressionaram pontualmente no início do segundo tempo —, mas sem conseguir criar nada de real perigo.
Aos 82 minutos, Rodrigo Castillo recebeu em boa posição, aproveitou a movimentação de Ganso e Soteldo para embaralhar a defesa, e finalizou sem chance para Kauê: 3 a 0. André ainda descontou nos acréscimos em cobrança de escanteio — gol de honra, sem outro significado —, mas o jogo há muito estava encerrado.
Os números que confirmam a superioridade
Kevin Serna foi o melhor em campo, com participação direta nos dois primeiros gols e nota acima de 8 nas avaliações pós-jogo. Hércules foi o motor do meio-campo, disciplinado na marcação e oportunista no gol. John Kennedy voltou a balançar as redes depois de três rodadas — e mostrou que a seca era circunstancial.
| Dado | Fluminense | Corinthians |
|---|---|---|
| Gols | 3 | 1 |
| Finalizações | 17 | 6 |
| Posse de bola | 57% | 43% |
| Escanteios | 7 | 3 |
| Cartão vermelho | — | Allan (54') |
Cartões amarelos do Corinthians: Matheus Bidu (34'), André (61'), Matheus Pereira (90+6'). Do Fluminense: Lucho Acosta (51'). Curiosidade amarga para o lado alvinegro: o jogador que foi alvo do gesto de Allan tomou o amarelo antes do colega ser expulso.
O que este resultado significa na tabela
Com 19 pontos após nove rodadas, o Fluminense divide a liderança com o Palmeiras — separados apenas por critério de desempate. O Tricolor virou vice-líder e agora tem três pontos a mais do que o Bahia, terceiro colocado com 17. O trabalho de Zubeldía está ganhando forma: defesa sólida, transições rápidas, Serna e Kennedy funcionando como dupla de destruição.
Do outro lado, o Corinthians caiu para a 11ª posição com 10 pontos — menos da metade do que os líderes. Oito jogos sem vencer no Brasileirão. A conta não fecha, o banco de reservas não resolve, o elenco chega ao limite das ausências. E nas próximas semanas chegam Copa do Brasil e Libertadores para complicar ainda mais a equação.
Dorival Júnior tem material suficiente para reverter isso? Os próximos jogos vão responder. Por enquanto, a realidade é esta: o Timão perdeu para uma equipe melhor, com um a mais por quase meia hora, sem criar chances reais para evitar a derrota. Essa é a foto do Corinthians em abril de 2026.
Fonte: Lance, VAVEL, CBF | Informações adicionais por Beira do Campo

Colunista
Neide Ferreira, 58 anos de paixão pelo futebol. Colunista que não tem medo de falar o que pensa. Voz da torcida, defensora do futebol raiz e inimiga da hipocrisia no esporte.


