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Corinthians perde para o Coritiba e vê tabu de 15 anos quebrado

Jacy e Lucas Ronier marcaram de cabeça, Coritiba venceu pela primeira vez na Neo Química Arena e deixou o Timão em crise na Rodada 5 do Brasileirão.

Patrícia Mendes
Patrícia Mendes
5 min de leitura
Corinthians perde para o Coritiba e vê tabu de 15 anos quebrado
Corinthians perde em Itaquera para o Coritiba — Foto: Reprodução / Gazeta Esportiva

A Neo Química Arena foi palco de uma noite que o torcedor corintiano preferiria esquecer. Com dois gols de cabeça — ambos originados do lado esquerdo do Coritiba e com a participação central de Josué —, o Coxa venceu por 0x2 e quebrou um tabu impressionante: a última vitória do time paranaense sobre o Corinthians havia acontecido em 4 de setembro de 2011. Mais que isso, foi a primeira vitória do Coritiba no estádio de Itaquera desde a inauguração da arena em 2014.

Com o resultado, o Corinthians chega a 7 pontos em 5 jogos e escorrega para o 8º lugar no Brasileirão. A derrota expõe fragilidades defensivas antigas e coloca pressão sobre o comando do clube, que ainda vivia a euforia da apresentação de Jesse Lingard no intervalo da partida.

Gols e lances decisivos

O Coritiba não tentou reinventar o futebol. Fernando Seabra preparou um plano objetivo: compactar o meio, sufocar a saída de bola corintiana e, nas oportunidades, explorar bola aérea e velocidade pelo lado esquerdo.

O primeiro gol saiu aos 36 minutos do primeiro tempo. Josué cobrou escanteio pela esquerda, e Jacy chegou livre na segunda trave para cabecear no canto esquerdo de Hugo Souza, que nada pôde fazer. A movimentação do atacante no espaço livre revelou uma falha clara de posicionamento na defesa corintiana.

O segundo gol, logo aos 7 minutos do segundo tempo, foi ainda mais doloroso porque repetiu exatamente o mesmo padrão. Josué avançou pelo lado esquerdo com liberdade, cruzou rasteiro para a área, e Lucas Ronier apareceu no segundo pau para empurrar de cabeça. A incrível capacidade do Coxa de atacar pelo mesmo corredor pelo qual havia marcado minutos antes evidencia um problema grave de ajuste tático do Timão no intervalo.

Análise tática: domínio estéril e omissão defensiva

O Corinthians chegou a ter 67% de posse de bola no primeiro tempo, mas o número esconde uma realidade preocupante: o time circulou a bola de lado a lado sem produzir perigo real. Nenhuma infiltração consistente, poucos cruzamentos de qualidade, e os meias sem condições de ligar a posse ao ataque com eficiência.

Parte da explicação está nos desfalques. Yuri Alberto e Kaio César estavam fora, e Memphis Depay — que tem sido o fio condutor do time — foi poupado para entrar no segundo tempo. Sem um referência móvel centralizado, o Corinthians ficou previsível.

A ausência de Dorival Júnior, suspenso após expulsão no jogo anterior contra o Cruzeiro, também pesou. O time foi comandado pelo auxiliar Lucas Silvestre, filho do técnico, que tentou reagir com quatro substituições simultâneas na virada do segundo tempo — mas a troca em bloco não produziu o efeito esperado.

O Coritiba, por sua vez, foi um exemplo de eficiência sem brilho. Sua missão era clara, e ele a cumpriu com precisão. O 4-2-3-1 de Seabra dificultou a saída de bola pelo centro e forçou o Corinthians a jogar por fora, onde o time paranaense tinha controle total.

Vale lembrar que este confronto teve uma curiosa moldura fora de campo: conforme noticiamos anteriormente, Jesse Lingard foi apresentado à Fiel no intervalo desta partida, com bandeirão na arquibancada e o slogan "Do Reino para a Favela" no telão. O inglês, porém, não estava inscrito no BID e não pôde jogar — e a noite terminou como ironia.

Destaques individuais

Josué (Coritiba) foi o melhor em campo sem discussão. O lateral-esquerdo ou meia-ala participou diretamente dos dois gols, com passes precisos que furam defesas bem postadas. É um jogador que passa despercebido nos pré-jogos, mas que decidiu quando teve espaço.

Lucas Ronier (Coritiba) balançou a rede, recebeu cartão amarelo e ainda assim foi uma pedra no sapato corintiano durante boa parte do segundo tempo antes de ser substituído por protocolo de concussão.

Do lado do Corinthians, Memphis Depay entrou aos 35 minutos do segundo tempo sem conseguir alterar o panorama. O holandês ficou pouco mais de 10 minutos em campo, tempo insuficiente para qualquer reação. Já Zakaria Labyad, meia marroquino ex-Ajax e PSV, estreou na vaga de Memphis — uma apresentação discreta, mas que abre perspectivas para as próximas rodadas.

Números do jogo

EstatísticaCorinthiansCoritiba
Gols02
Posse de bola (1ºT)67%33%
Público pagante
Cartões amarelos22
Substituições65

Ficha técnica:

  • Estádio: Neo Química Arena, São Paulo
  • Público: 34.759 pagantes / 35.125 total
  • Renda: R$ 2.455.229,50
  • Gols: Jacy (36'/1ºT), Lucas Ronier (7'/2ºT)
  • Amarelos: Hugo Souza, Carrillo (COR) / Lucas Ronier, Fabinho (COX)

Confira a análise prévia que publicamos em Corinthians x Coritiba: escalações, palpite e onde assistir para entender como o Timão chegou ao confronto.

Próximo compromisso

O Corinthians tem agora uma semana para trabalhar e esperar o retorno de Dorival Júnior ao banco. A próxima rodada do Brasileirão ainda não tem data confirmada, mas o clube precisa usar o tempo para ajustar o posicionamento defensivo nas bolas aéreas — problema que já custou pontos caros neste início de campeonato — e encontrar alternativas ao esquema ofensivo que, sem Yuri Alberto e com Memphis em processo de adaptação, ainda não engata.

O Coritiba, por sua vez, vive um momento de grande confiança e soma três vitórias consecutivas, consolidando-se no G4 da tabela.

Fonte: Gazeta Esportiva, CNN Brasil, Bem Paraná | Informações adicionais por Beira do Campo

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Patrícia Mendes
Patrícia Mendes

Analista Tática

Formada em Educação Física e pós-graduada em Análise de Desempenho Esportivo. Certificada pela UEFA em análise tática. Cobre futebol feminino e masculino com profundidade técnica.