O melhor do futebol brasileiro, todos os dias
Beira do Campo
BEIRADO CAMPO
Opinião

Copa 2026: Alemanha e Holanda fora e ninguém devia chorar

A primeira leva do mata-mata mandou Alemanha e Holanda para casa nos pênaltis, enquanto Paraguai e Marrocos comemoram. Neide cravou: o formato de 48 seleções que tanto criticaram acabou de entregar o melhor da Copa. Quem chora a 'decadência' queria mesmo era um Mundial de elite.

Neide Ferreira
Neide Ferreira
4 min de leitura
Copa 2026: Alemanha e Holanda fora e ninguém devia chorar
Ilustração — Alemanha e Holanda deixaram a Copa 2026 nos pênaltis e reacenderam o debate sobre o novo formato de 48 seleções

Anota aí: a Copa 2026 ainda não chegou nem às oitavas e já fez o que nenhuma das últimas três edições teve coragem de fazer logo na estreia do mata-mata — botar Alemanha e Holanda no avião de volta para casa no mesmo intervalo de horas. E eu não vou fingir luto. O Mundial de 48 seleções, esse que metade dos cronistas europeus jurou que seria um desfile chato e protegido para os ricos, abriu a fase eliminatória com duas zebras nos pênaltis e a melhor sessão de futebol que essa competição me deu em muito tempo.

Se você esperava ver os tetracampeões mundiais e os eternos vice passearem rumo à taça, sinto muito pelo seu bolão. O Paraguai de Gustavo Alfaro e o Marrocos dos Leões do Atlas tinham outros planos — e os cumpriram com a frieza de quem não leu o roteiro que os favoritos escreveram sozinhos.

Dois gigantes, dois pênaltis, zero pena

Vamos aos fatos, porque opinião sem placar é só torcida. A Alemanha empatou em 1 a 1 com o Paraguai, viu Kai Havertz salvar o que dava para salvar e desabou nas penalidades: 4 a 3 para os sul-americanos, com o goleiro Orlando Gill pegando duas cobranças e devolvendo o Paraguai a um Mundial depois de três ausências seguidas. Foi a muralha que Alfaro montou funcionando exatamente como anunciada.

Horas depois, a Holanda repetiu o vexame com sotaque próprio. Saiu na frente com Cody Gakpo, levou o empate de Diop aos 46 do segundo tempo — quarenta e seis, leu certo — e caiu para o Marrocos nos pênaltis por 3 a 2, num festival de cobranças desperdiçadas que vai assombrar o sono de meio país laranja. Dois colossos europeus, dois empates, duas eliminações na loteria — e foram as primeiras seleções de peso a cair no mata-mata ampliado. Do outro lado da chave, a Seleção fez o dever de casa contra o Japão e viu o caminho até a semifinal clarear. Some a isso o Japão e a África do Sul também despachados na mesma rodada e você tem o retrato de uma Copa que não está nem aí para currículo. Coincidência? Não. É a Copa nova mostrando a que veio.

O contra-argumento que não para em pé

Eu já escuto o coro: "Mas Neide, foi nos pênaltis, é loteria, não prova nada". Prova, sim. A Alemanha teve 90 minutos mais a prorrogação para resolver o Paraguai e não resolveu. A Holanda teve o mesmo tempo para furar o Marrocos e não furou. Pênalti é sorte quando seu time domina e perde no detalhe; quando você passa duas horas inteiras sem vencer uma seleção rotulada de "pequena", o problema não está na marca da cal, está no seu projeto.

O outro choro é mais sofisticado. Dizem que o formato de 48 inchou o torneio, que classificar oito melhores terceiros "desvaloriza a fase de grupos". Curioso como esse argumento só aparece agora, quando a Suécia entrou pela janela dos terceiros e marcou um encontro com a França. Ninguém reclamava de vaga fácil quando era a Europa enchendo as chaves com seis, sete representantes por edição. A Copa 2026 abriu a porta para o mundo inteiro, e, agora que o mundo inteiro entrou e começou a ganhar, virou "decadência". Não é decadência. É concorrência — e tem gente que não suporta ter que dividir o tapete.

Que venha mais caos

O que aconteceu na estreia do mata-mata não foi acidente, foi tendência. O Marrocos foi semifinalista em 2022 e não deve satisfação a ninguém. O Paraguai jogou com alma e um goleiro iluminado. E a fila anda: a França encara a Suécia ainda nesta terça e, se bobear com a dupla Isak e Gyökeres, vira a próxima manchete de zebra.

Pode anotar o que a Neide está dizendo. Este formato de 48 seleções, tão xingado, é a melhor coisa que aconteceu com a Copa desde que inventaram a disputa de pênaltis para nos dar úlcera. Ele não protege ninguém. Não dá passe livre para a tradição, para a camisa, para o passado glorioso. Alemanha e Holanda descobriram isso da pior maneira possível — e eu, sinceramente, mal posso esperar para ver qual gigante tomba na próxima. Que venha mais caos. A Copa 2026 está finalmente parecendo o que sempre deveria ter sido: imprevisível.

Perguntas frequentes

Quais seleções europeias foram eliminadas nos 16-avos da Copa 2026?
Alemanha e Holanda caíram nos pênaltis na primeira rodada do mata-mata, para Paraguai e Marrocos, respectivamente.
Como o Paraguai eliminou a Alemanha?
Após 1 a 1 no tempo normal, o Paraguai venceu por 4 a 3 nos pênaltis, com o goleiro Orlando Gill defendendo duas cobranças.
Quantas seleções disputam a Copa do Mundo 2026?
São 48 seleções no novo formato ampliado, que classifica também os oito melhores terceiros colocados da fase de grupos.

Fonte: CNN Brasil, Gazeta Esportiva, Lance, ESPN | Informações adicionais por Beira do Campo

#copa-do-mundo-2026#16-avos#alemanha#holanda#novo-formato
Neide Ferreira
Neide Ferreira

Colunista

Neide Ferreira, 58 anos de paixão pelo futebol. Colunista que não tem medo de falar o que pensa. Voz da torcida, defensora do futebol raiz e inimiga da hipocrisia no esporte.