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Opinião

Brasil na Copa 2026: liderar o Grupo C ainda não é convencer

A seleção lidera o Grupo C com quatro pontos, mas empatou com o Marrocos e bateu um Haiti já eliminado. Na Segunda da Neide, a cobrança antes do duelo decisivo com a Escócia.

Neide Ferreira
Neide Ferreira
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Brasil na Copa 2026: liderar o Grupo C ainda não é convencer
Seleção brasileira em campo na fase de grupos da Copa 2026 — Foto: Reprodução / CNN Brasil

Vou começar pela parte que vai irritar a tropa do "deixa o Ancelotti trabalhar": o Brasil na Copa 2026 lidera o Grupo C, sim, mas não convenceu absolutamente ninguém. Quatro pontos em duas rodadas, um empatezinho com o Marrocos e uma goleada sobre um Haiti que já estava com um pé fora do torneio antes de a bola rolar. Se isso é o tal favoritão ao hexa que me venderam, eu quero meu dinheiro de volta.

Calma, não vim aqui dizer que está tudo perdido. Vim dizer uma coisa mais incômoda: está tudo morno. E futebol morno, em Copa do Mundo, costuma cobrar caro lá na frente.

Brasil na Copa 2026: a conta que ninguém quer fazer

Vamos aos números, porque número não tem torcida. O Brasil chega à terceira rodada com quatro pontos, empatado com o Marrocos, e só está em primeiro por causa do saldo de gols — +3 contra +1 dos marroquinos. A liderança, portanto, mora num detalhe que pode evaporar em noventa minutos.

Como foi a caminhada até aqui? Na estreia, 1 a 1 com o Marrocos no estádio de Nova Jersey, gol de Vini Jr. e muita reclamação de quem esperava atropelo. Na segunda rodada, 3 a 0 no Haiti, com dois de Matheus Cunha e mais um de Vini, já com o adversário entregue e matematicamente eliminado. Some tudo: a seleção fez gol pra valer contra um time que não tem o nível dos outros três do grupo, e empatou justamente contra quem disputa a liderança de igual pra igual.

Não é coincidência que o Marrocos tenha assumido a ponta antes mesmo da vitória brasileira sobre o Haiti. Os africanos vieram para incomodar e estão incomodando. Isso não é desastre, é realidade — e realidade a gente encara olhando para a tabela atualizada do grupo, não para o retrovisor de 1970.

Sim, a seleção lidera — e daí?

Já ouço o coro: "Neide, o Brasil está em primeiro, invicto, classificação encaminhada, qual é a sua?". Justo. Reconheço o que dá pra reconhecer. Vini Jr. voltou a decidir e marcou nos dois jogos, o que silencia parte da novela sobre o momento dele no clube. Matheus Cunha entrou na conversa dos artilheiros e deu ao ataque uma alternativa que faltava. E sim: empatar com um Marrocos forte não é vergonha nenhuma — aquele time elimina gente grande em Copa, todo mundo lembra.

A defesa também não levou sufoco real: um gol sofrido em duas partidas. Ancelotti organizou a casa, a seleção não se expôs, e equipe que não toma gol bobo costuma ir longe em mata-mata. Tudo isso é verdade.

Mas convenhamos: ninguém ganha hexa colecionando "tudo bem". A diferença entre o Brasil que assusta e o Brasil que apenas cumpre tabela é exatamente o tamanho da ambição em jogo que dá pra ganhar. E o próximo é desses.

Quarta-feira é a hora de calar minha boca (e eu vou adorar)

O Grupo C se encerra em 24 de junho com dois jogos simultâneos: Brasil x Escócia, às 19h de Brasília no Hard Rock Stadium, em Miami, e Marrocos x Haiti, em Atlanta. A Escócia chega com três pontos, vendeu caro a derrota para o Marrocos e não vem a Miami para tirar foto. Quem achar que vai ser passeio não andou prestando atenção nesta Copa.

E por que esse jogo vale tanto além da vaga? Porque terminar em primeiro muda o destino do Brasil no mata-mata. O líder do Grupo C cai contra um representante do Grupo F — o mesmo grupo em que a Holanda atropelou a Suécia por 5 a 1 e mostrou que não está para brincadeira. Cair em segundo pode significar um caminho ainda mais cruel. Em Copa de 48 seleções, cada posição na tabela é uma ramificação inteira de chaveamento. Liderança aqui não é vaidade, é estratégia de sobrevivência.

A boa notícia para os nervosos é que o cenário está na mão do Brasil: vencer a Escócia garante a primeira posição caso o Marrocos não bata o Haiti. E mesmo num empate de pontos lá em cima, o saldo de gols sorri para a seleção. Ou seja: depende do Brasil. Faz a parte dele e ninguém precisa de calculadora.

Eu sou a primeira a cobrar — já cobrei o peso que o Cristiano Ronaldo virou para Portugal e não vou poupar a seleção da minha terra. Mas cobrança séria é a que aceita ser desmentida. Então fica o combinado: se o Brasil entrar em Miami e jogar como gente grande, ganhar com autoridade e garantir a ponta do grupo, eu volto na próxima segunda-feira e escrevo, com todas as letras, que estava errada.

Agora, se for mais um "tudo bem", mais um resultado magro contra um adversário que dava pra atropelar, aí a conversa de favorito ao hexa vira o que sempre foi nas últimas Copas: papo de torcedor saudoso, não de time de verdade. Quarta-feira a gente descobre qual dos dois Brasis veio para os Estados Unidos.

Perguntas frequentes

Quantos pontos o Brasil tem na Copa 2026?
O Brasil soma quatro pontos no Grupo C após o empate em 1 a 1 com o Marrocos e a vitória por 3 a 0 sobre o Haiti.
Quando é o jogo do Brasil contra a Escócia?
Brasil x Escócia acontece na quarta-feira, 24 de junho de 2026, às 19h de Brasília, no Hard Rock Stadium, em Miami.
O que o Brasil precisa para passar em primeiro no Grupo C?
Vencer a Escócia garante a liderança se o Marrocos não vencer o Haiti. Em caso de empate em pontos, o saldo de gols desempata, e o Brasil leva vantagem.

Fonte: CNN Brasil, Olympics.com, CBF | Informações adicionais por Beira do Campo

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Neide Ferreira
Neide Ferreira

Colunista

Neide Ferreira, 58 anos de paixão pelo futebol. Colunista que não tem medo de falar o que pensa. Voz da torcida, defensora do futebol raiz e inimiga da hipocrisia no esporte.