Botafogo bate o Bragantino, sai do Z4 e dá fôlego a Anselmi
Com gols de Alex Telles e Barboza no primeiro tempo, o Glorioso vence por 2x1 fora de casa e abandona a zona de rebaixamento na Rodada 8 do Brasileirão 2026.


O Botafogo chegou ao Nabi Abi Chedid carregando toda aquela bagagem pesada que o torcedor conhece de cor: a pressão sobre Anselmi, o fantasma do Z4 e a memória ainda fresca da eliminação vergonhosa na pré-Libertadores. Pois bem, por um sábado ao menos, o Glorioso respirou. Venceu o RB Bragantino por 2 a 1, saiu da zona de rebaixamento e jogou mais um dia de vida na conta do técnico argentino.
Não foi um espetáculo. Foi luta, sangue e dois gols no primeiro tempo que o Botafogo conseguiu segurar até o apito final. Para quem estava no Z4 ao lado de Flamengo e companhia, essa vitória tem sabor de sobrevivência — e sobrevivência, no futebol, às vezes é o máximo que se pode pedir.
Gols e Lances Decisivos
O jogo começou na cara certa para o Glorioso. Aos 7 minutos, Correa foi derrubado por Gabriel dentro da área — o VAR confirmou a penalidade sem discussão — e Alex Telles foi firme para abrir o placar: 1 a 0.
O Bragantino não ficou em silêncio. O Touro de Bragança usou a maior posse de bola (56% no fim) para pressionar e chegou ao empate aos 14 minutos com Lucas Barbosa, num gol de campo bem construído. Era 1 a 1 e a tarde no interior paulista esquentou.
Mas o Botafogo tem jeito de time que aprendeu a sofrer — e às vezes aprendeu a resistir. Aos 26 minutos, após cobrança de escanteio do lateral Danilo, Alexander Barboza subiu mais alto que todos e cabeceou para o fundo das redes. 2 a 1. O Bragantino ainda teve um gol de Henry Mosquera anulado por impedimento no início da jogada, e o placar não se alterou mais.
O segundo tempo foi um festival de cardiologia. O Bragantino tentou, o Botafogo bloqueou, o árbitro Lucas Casagrande distribuiu amarelos como se fossem folhetos de farmácia — cinco no total — e o Glorioso aguentou cada minuto até a vitória.
Análise Tática: Anselmi Achou o Equilíbrio?
Nem por um momento. O Botafogo foi inferior em posse (44%) e em finalizações totais (7 a 10), mas foi mais eficiente: 4 chutes no alvo contra 5 do Bragantino. Ganhou na frieza do pênalti, no timing da cabeçada e na disposição para defender a vantagem.
Anselmi claramente optou por uma postura reativa fora de casa, deixando o adversário ter a bola e esperando as transições. Funcionou — mas por muito pouco. Se o gol de Mosquera não tivesse sido anulado, estaríamos falando de outro resultado e, provavelmente, de outro técnico.
A boa notícia é que o time mostrou caráter. A má notícia é que a Rodada 8 está sendo cruel para quem oscila — e o Botafogo ainda oscila demais.
Destaques Individuais
Alex Telles foi o melhor em campo pelo Glorioso. Bateu o pênalti com autoridade e trabalhou bem na esquerda durante o primeiro tempo antes de ser substituído no início do segundo.
Alexander Barboza merece menção à parte. O zagueiro uruguaio chegou ao gol que deu a vitória numa cabeçada impecável e defendeu com segurança nos momentos mais tensos da etapa final.
Do lado do Bragantino, Lucas Barbosa foi quem mais incomodou, mas o time de Bragança não conseguiu traduzir a superioridade técnica em placar. Muita posse, pouco veneno.
Números do Jogo
| Estatística | RB Bragantino | Botafogo |
|---|---|---|
| Posse de bola | 56% | 44% |
| Finalizações | 10 | 7 |
| Chutes no alvo | 5 | 4 |
| Cartões amarelos | 2 | 3 |
| Cartões vermelhos | 0 | 0 |
Gols: Lucas Barbosa (14') — Bragantino | Alex Telles (7', pen.) e Alexander Barboza (26') — Botafogo
Próximo Compromisso
O Botafogo agora foca em Corinthians x Flamengo, domingo (22/03), enquanto se prepara para sua própria rodada. O clássico que todo o Rio vai acompanhar acontece amanhã e pode remisturar a tabela dependendo do resultado.
O Bragantino, por sua vez, precisa voltar a vencer em casa. Perder no Nabi Abi Chedid para um Botafogo em crise não é o tipo de resultado que cai bem para um time que quer brigar por vaga nas copas.
Por hoje, o Glorioso respirou. Amanhã, a saga continua.
Fonte: Gazeta Esportiva
Fonte: Gazeta Esportiva, VAVEL Brasil, Lance! | Informações adicionais por Beira do Campo

Colunista
Neide Ferreira, 58 anos de paixão pelo futebol. Colunista que não tem medo de falar o que pensa. Voz da torcida, defensora do futebol raiz e inimiga da hipocrisia no esporte.


