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Do paraíso ao pesadelo: o Botafogo de 2026 precisa de respostas

Neide Ferreira não tem papas na língua: como o campeão da Libertadores virou candidato ao rebaixamento em menos de um ano? O Nilton Santos cobra a conta esta noite.

Neide Ferreira
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4 min de leitura
Do paraíso ao pesadelo: o Botafogo de 2026 precisa de respostas
Botafogo enfrenta o Flamengo neste sábado em meio à pior crise da era SAF — Foto: Reprodução / EsporteNewsMundo

Alguém precisa falar o que todo mundo está pensando mas ninguém tem coragem de dizer em voz alta: o Botafogo de 2026 é um vexame ambulante, e a conta do campeão da Libertadores está sendo cobrada com juros e correção monetária.

Não é crueldade. É constatação.

O campeão que voltou como fantasma

Em novembro de 2024, o Botafogo conquistou a Libertadores em Madri. Foi épico, emocionante, histórico. O clube carioca que tanto sofreu finalmente provava para o mundo que era grande de verdade. Anselmi virou ídolo. A torcida cantou. Tudo muito bonito.

Menos de 18 meses depois, o mesmo Botafogo foi eliminado na fase preliminar da Libertadores de 2026 pelo Barcelona de Guayaquil — um clube equatoriano que ninguém considerava ameaça real — e se encontra afundado na zona de rebaixamento do Brasileirão com apenas 3 pontos em 5 rodadas.

Três pontos. O mesmo Botafogo que ganhou a Libertadores. Três. Pontos.

Pois é.

Os números que não mentem

A Rodada 5 do Brasileirão foi mais uma tapa na cara alvinegra. O time que deveria estar brigando pelo título está misturado com os candidatos ao rebaixamento. Os dados são simples e brutais:

  • 5 jogos disputados no Brasileirão
  • 1 vitória, 0 empates, 4 derrotas
  • 3 pontos — penúltima posição
  • Eliminado da Libertadores na fase mais preliminar possível

O colapso não é coincidência. É uma estrutura que desmoronou. A reformulação do elenco que parecia calculada virou algaravia. Jogadores que chegaram com pompa não entregaram. Os que ficaram estão perdidos dentro de campo.

Anselmi — o técnico que parecia infalível em 2024 — olha para esse time e não reconhece mais o que construiu. E o pior: ninguém no clube parece saber como consertar.

A defesa que não convence

Tem quem diga que é cedo para catastrofizar. Que reformulações de elenco levam tempo. Que a pré-Libertadores foi um acidente e que o time vai crescer com o decorrer da temporada.

Pode ser.

Mas o futebol não tem paciência para teorias. E o Botafogo não foi eliminado por uma grande equipe — foi eliminado por um time que os próprios torcedores alvinegros admitiam ser inferior na capacidade técnica global. Isso não é azar. Isso é sinal.

As reformulações são reais. A pressão do calendário é real. Lesões são reais. Mas três pontos em cinco rodadas do Brasileirão — com derrotas para adversários que disputam a parte de baixo da tabela — não cabe em nenhuma justificativa que soe convincente. Quem tentar vender essa ideia para a torcida do Botafogo vai encontrar uma plateia pouco receptiva.

A SAF prometeu uma gestão profissional. E gestão profissional não é só comprar jogadores caros na janela — é montar um time coeso, com identidade e capaz de passar por uma eliminatória de Libertadores sem tremer na base.

Esta noite é o teste da verdade

É justamente nessa situação que o Botafogo enfrenta hoje, às 20h30, no Nilton Santos, o Flamengo de Leonardo Jardim — em um clássico que vai dizer muito sobre o que ambos os times realmente são neste momento.

Ironicamente, o Flamengo também chegou a este jogo trocado de técnico, com perguntas sem resposta. Mas ao menos o Rubro-Negro tem o conforto de estar entre os primeiros colocados e de ter uma direção clara de jogo, mesmo que recente. O Botafogo chega com a corda no pescoço e a torcida na garganta.

Perder essa partida seria transformar a crise em caos. Seria a confirmação de que o time não tem chão, não tem argumento, não tem o mínimo de identidade capaz de gerar resultado quando mais precisa. Segundo dados da ESPN Brasil, os palpites majoritários favorecem o Flamengo — o que diz muito sobre o que o mercado pensa do Botafogo atual.

Anselmi sabe disso. Os jogadores sabem disso. A torcida que viu o clube sair das alturas para o buraco em velocidade assustadora também sabe.

E Neide Ferreira, que nunca se furtou de dizer o que pensa, diz agora: o Botafogo de 2026 está a uma derrota de entrar em colapso total. Quem ainda não admitiu isso está fazendo um desserviço ao clube.

Torço para que o Botafogo encontre o caminho. Torcedores alvinegros merecem algo melhor do que esse pesadelo.

Mas primeiro, precisam de honestidade.

E esta noite, ela vem com 90 minutos e um árbitro no meio do campo.

Fonte: ESPN Brasil, EsporteNewsMundo | Informações adicionais por Beira do Campo

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Colunista

Neide Ferreira, 58 anos de paixão pelo futebol. Colunista que não tem medo de falar o que pensa. Voz da torcida, defensora do futebol raiz e inimiga da hipocrisia no esporte.