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Barcelona campeão da La Liga: 2x0 no Real e bi de Hansi Flick

Barcelona venceu o Real Madrid por 2x0 no Camp Nou neste domingo (10) e confirmou o bicampeonato espanhol de Hansi Flick. Gols de Rashford, em falta no início do jogo, e Ferran Torres abriram o Camp Nou para a festa do 29º título de La Liga blaugrana, com três rodadas de antecedência.

Marcos Vinícius Santos
Marcos Vinícius Santos
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Barcelona campeão da La Liga: 2x0 no Real e bi de Hansi Flick
Barcelona ergueu La Liga 2025-26 ao vencer o Real Madrid no Camp Nou — Foto: Reprodução / Al Jazeera

O Camp Nou já estava em pé antes de a bola rolar. Não era apenas mais um Clássico — era a noite em que a La Liga pôde ser coroada com a única cor que faz a celebração caber por inteiro entre as arquibancadas catalãs. Aos 9 minutos, Marcus Rashford pegou a falta cobrada como se a coreografia tivesse sido ensaiada há semanas: bola por cima da barreira, no ângulo esquerdo de Thibaut Courtois, gol que abriu a tarde e fechou a temporada. Pouco depois, aos 18, Dani Olmo encontrou Ferran Torres na entrada da área e o catalão completou a obra: Barcelona 2x0 Real Madrid, bicampeonato espanhol confirmado com três rodadas de antecedência e o 29º troféu da história blaugrana no museu.

A vitória sela uma temporada em que o time de Hansi Flick transformou a herança rebelde de Xavi em método. Quando o alemão chegou, em 2024, herdou um clube em reconstrução financeira e tática; ao fim do segundo ano, devolve um Barça que se mantém competitivo em três frentes, mesmo sem ter chegado à decisão da Champions — caiu no caminho do Atlético de Madrid nas quartas, em jogo já analisado em Atlético 2x0 Barcelona, ida das quartas. O título doméstico é a moeda mais palpável de um projeto que vinha sendo questionado pela imprensa madrilenha.

A coreografia do gol que mudou a noite

Houve um momento, antes da cobrança de Rashford, em que Antonio Rüdiger empurrou Ferran Torres às costas e o árbitro fez o gesto suave de quem entende o jogo. Era falta a 22 metros, em ângulo confortável para canhotos. O inglês — emprestado do Manchester United em julho do ano passado e que virou a alma de meio-campo do Barça nas últimas semanas — não pensou duas vezes. Foi como um pianista que toca a peça que decorou em casa: a barreira saltou, Courtois esticou-se em vão, e a bola entrou no canto superior esquerdo com a precisão de quem sabe quanto vale o silêncio do adversário.

Aos 18, o segundo gol não foi acaso. Pedri reconstruiu jogada saída do pé de Frenkie de Jong, achou Dani Olmo em meia-lua, e o ex-Leipzig deu um passe de calcanhar para o corredor da esquerda. Ferran Torres recebeu na velocidade, cortou para dentro e bateu colocado: Courtois, novamente, sem reação. O Real Madrid tentou subir a marcação depois disso, mas a presença ausente de Kylian Mbappé — fora por incômodo muscular detectado na véspera — escancarou o que vinha sendo desenhado a temporada inteira: o time de Florentino e Carlo Ancelotti perdeu cadência ofensiva sem o francês, e Vinicius Junior precisou jogar mais centralizado, longe da banda esquerda em que produz seus melhores momentos.

A herança que Flick organizou

O dado importante: 91 pontos em 35 rodadas, 29 vitórias em 35 jogos, três derrotas (Atlético, Sevilla e Real Sociedad), um único empate. Os números, por si só, contam pouco — Flick conseguiu o que duas eras anteriores haviam falhado em entregar. O técnico alemão preservou Lamine Yamal nos momentos em que o cansaço pedia minutos curtos, recuperou Pedri no comando de criação após uma temporada irregular, e fez o investimento em Rashford parecer barato diante do que ele rendeu na reta final. A imprensa catalã já chamou o projeto de "barceloneza pragmática" — a renúncia ao radicalismo tiki-taka em troca de um futebol mais vertical, mas ainda fiel aos princípios do clube.

Para o Real Madrid, o ano se encerra com a frustração de quem entrou para a fase decisiva da temporada com problemas de elenco: Éder Militão fora por longa lesão muscular, Rodrygo limitado por dores recorrentes, e Estêvão ainda em adaptação. A diferença de 14 pontos é a maior em um Campeonato Espanhol decidido por Clássico desde os anos 1990 — exatamente o tipo de derrota que costuma forçar reavaliações em Valdebebas. Carlo Ancelotti, que será o técnico da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026, mostrou-se sereno na coletiva, mas evitou comentar o futuro. O assunto pode voltar à mesa nas próximas semanas.

Bicampeonato com sabor de virada de página

Hansi Flick se torna o décimo treinador do Barcelona a emendar dois títulos de Liga consecutivos — entrou em uma lista que tem Helenio Herrera, Johan Cruyff, Pep Guardiola, Luis Enrique e Xavi Hernández, segundo os arquivos do Infobae. É um clube exclusivo, em uma temporada em que o Barça também levou a Copa do Rei (campanha analisada em Raphinha e o milagre contra o Atlético na Copa do Rei) e cresceu ao longo do ano até virar favorito mesmo após o tropeço europeu.

A festa no Camp Nou prosseguiu até alta madrugada. O Real Madrid voltou a Valdebebas sem campeonato pela segunda vez em três anos, com tarefas pesadas pela frente — a renovação de elenco, o futuro de Vinicius Junior em meio aos boatos do mercado da Premier League e a definição do próximo treinador. O Barça, por sua vez, abre o caminho para a próxima temporada com o cetro doméstico nas mãos e a Champions League como objetivo natural depois de cair nas quartas: três finais como visitante na Europa nas últimas duas décadas só serviram para alimentar o desejo de levantar a "orelhuda" outra vez. Hansi Flick deixou claro, ao microfone do canal oficial blaugrana, qual o roteiro: "Agora vamos pela Champions." A frase ecoou em Barcelona como ameaça e como promessa.

Perguntas frequentes

Quem foi o campeão da La Liga 2025-26?
O Barcelona, treinado por Hansi Flick, conquistou o 29º título do Campeonato Espanhol após vencer o Real Madrid por 2x0 no Camp Nou pela 35ª rodada.
Quem fez os gols de Barcelona x Real Madrid?
Marcus Rashford abriu o placar aos 9 minutos, com falta cobrada no canto, e Ferran Torres ampliou aos 18, em jogada construída por Dani Olmo.
Quantos pontos o Barcelona tem em relação ao Real Madrid?
Após a 35ª rodada, o Barcelona soma 91 pontos contra 77 do Real Madrid, vantagem de 14 com apenas três jogos restantes — matematicamente intransponível.
Qual é o próximo desafio do Barcelona?
Com o Campeonato Espanhol já conquistado, o Barcelona volta o foco para a próxima temporada europeia e para a defesa dos títulos nacionais em 2026-27, depois da queda nas quartas da Champions League.

Fonte: Sky Sports, Al Jazeera, CBS Sports, Yahoo Sports | Informações adicionais por Beira do Campo

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Marcos Vinícius Santos
Marcos Vinícius Santos

Correspondente Internacional

Morou 8 anos na Europa cobrindo as principais ligas. Fluente em inglês, espanhol e italiano. Acompanha de perto brasileiros no exterior e os bastidores do futebol europeu.