Atlético-MG 1x0 Internacional: Cuello decide e Galo sai do Z4
Cuello marcou com 1 minuto e 25 segundos e Everson fez quatro defesas decisivas. Galo deixa a zona de rebaixamento após cinco rodadas de pesadelo no Brasileirão.


Demorou quatro rodadas, duas derrotas, dois empates e 10 mil almas corajosas o suficiente para aparecer na Arena MRV numa quarta-feira de março. Mas veio. O Atlético-MG venceu o Internacional por 1 a 0, na rodada 5 do Brasileirão 2026, e finalmente saiu da zona de rebaixamento. Se é hora de comemorar ou apenas respirar fundo, cada torcedor decide por conta própria.
O gol de Tomás Cuello aconteceu com 1 minuto e 25 segundos de bola rolando — antes de qualquer ansiedade tomar conta das arquibancadas meio vazias. Hulk recebeu pela direita, tocou para o argentino, que deixou Bernabei no caminho e bateu cruzado e rasteiro, sem chances para Rochet. Simples assim. Rápido assim. E depois veio o que era esperado de um Atlético em crise: o sofrimento.
O gol que abriu tudo e o pesadelo que veio depois
Marcar tão cedo poderia ter sido um presente para Eduardo Domínguez montar o time e administrar. Não foi. O Atlético recuou, entregou o meio-campo, perdeu o controle da partida e transformou o segundo tempo num exercício de tortura coletiva para quem estava nas arquibancadas.
O esquema de Domínguez funcionou com precisão nos primeiros 90 segundos — quando o gol chegou — e praticamente parou por aí. O time abriu espaços demais na saída, ficou excessivamente compacto no campo defensivo, e Alan Patrick teve liberdade para circular e organizar o Inter durante longos trechos do segundo tempo. A vitória veio, mas o modelo de jogo ainda está longe de convencer.
O Internacional chegou com Carbonero, Borré e Alan Patrick em busca do empate que os tiraria do buraco também. Pelo menos três vezes o time gaúcho estava pronto para marcar. Pelo menos três vezes Everson disse não.
Everson: o homem que segurou o resultado com as próprias mãos
Aos 9 e 20 minutos da segunda etapa, Carbonero finalizou em posições perigosas. Everson voou. Aos 23 minutos, Borré cabeceou à queima-roupa — uma defesa que arrancou o "milagre" da boca de quem cobria o jogo. O goleiro do Galo foi o melhor em campo sem qualquer contestação.
Não é novidade que o Atlético tem problemas sérios de sistema e de repertório ofensivo — os números falam por si na análise que publicamos antes dessa rodada. O que ficou evidente na Arena MRV é que, enquanto o Galo não resolve o que acontece dos 30 metros pra frente, vai precisar do Everson funcionando nesse nível toda semana.
A boa notícia é que Everson existe e que ele parece ser o mesmo goleiro que garantiu inúmeros pontos ao Galo em outras temporadas. A má notícia é que depender do goleiro para vencer todo jogo é um plano arriscado — e o Brasileirão tem 38 rodadas. Mais cedo ou mais tarde, a conta chega.
Os números que revelam o tamanho do drama
O público de 10.132 torcedores é o menor da história da Arena MRV desde sua inauguração em agosto de 2023. A menor renda também: R$ 454.202,85. Não é difícil entender por quê. Antes do jogo, o Atlético acumulava dois empates e duas derrotas. Estava no Z4. A torcida havia perdido a fé — e demonstrou isso com a ausência.
| Dado | Valor |
|---|---|
| Gol | Cuello (1'25", assist. Hulk) |
| Público | 10.132 (menor da Arena MRV) |
| Defesas de Everson | 4 decisivas |
| Posição Atlético antes | 17º (Z4, 2 pts) |
| Posição Atlético depois | 11º (5 pts) |
| Posição Internacional | 18º (2 pts, sem vitórias) |
O Internacional, por sua vez, saiu de Belo Horizonte sem nenhuma vitória em cinco rodadas. Paulo Pezzolano já viu o time jogar bem o suficiente para empatar, para perder no detalhe, para ficar a um passo de um resultado melhor. Mas nenhuma vitória. O Inter entrou em campo sem o lateral Natanael, suspenso por expulsão na rodada anterior — ausência que comprometeu o equilíbrio defensivo desde o início, e o Colorado pagou caro.
Próximo compromisso
O Atlético viaja neste sábado para enfrentar o Vitória no Barradão, às 18h30. Um adversário que também acumula início difícil. Outro confronto entre times que precisam pontuar. A grande questão que fica: essa vitória muda alguma coisa no jogo do Galo, ou apenas adia a conversa?
O Internacional recebe o Bahia no próximo domingo, às 16h, para tentar finalmente estrear na coluna das vitórias no Brasileirão 2026.
Ganhar num sufoco de 89 minutos contra um adversário que também não vencia é exatamente o tipo de vitória que não resolve nada — mas que pelo menos resolve o dia. O Galo saiu do Z4. Por enquanto, é o que tem. Sobre o que se esperava do confronto, o portal analisou as duas equipes antes do apito inicial.
O Brasileirão está no começo. Mas o tamanho do problema no Galo — e no Inter — já está bem visível. E a torcida, com seus 10 mil presentes na Arena MRV, também sabe disso.
Fonte: Gazeta Esportiva / O Tempo / Sportbuzz | Informações adicionais por Beira do Campo

Colunista
Neide Ferreira, 58 anos de paixão pelo futebol. Colunista que não tem medo de falar o que pensa. Voz da torcida, defensora do futebol raiz e inimiga da hipocrisia no esporte.


