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Aston Villa volta a final europeia após 44 anos: 4x0 no Forest

Watkins, Buendía e duas pinturas de John McGinn em 12 minutos sepultaram o Nottingham Forest no Villa Park e devolveram o Aston Villa a uma decisão continental pela primeira vez desde 1982. Final será contra o Freiburg em Istambul, dia 20 de maio.

Thiago Borges
Thiago Borges
6 min de leitura
Aston Villa volta a final europeia após 44 anos: 4x0 no Forest
Aston Villa goleou o Nottingham Forest por 4x0 no Villa Park e voltou a disputar uma decisão europeia pela primeira vez desde 1982 — Foto: Reprodução / UEFA

A última vez que o Aston Villa pisou num gramado para disputar uma final europeia, Margaret Thatcher era primeira-ministra do Reino Unido, Peter Withe vestia a camisa 9 e Tony Barton ocupava o banco. Era 26 de maio de 1982, a final era a Copa dos Campeões e o adversário, o Bayern de Munique. Quarenta e quatro anos depois, na noite desta quinta-feira (7), os Villans voltaram a marcar lugar numa decisão continental — desta vez na Europa League — após uma das exibições mais convincentes do projeto Unai Emery.

A goleada por 4x0 sobre o Nottingham Forest no Villa Park, com gols de Ollie Watkins, Emiliano Buendía (pênalti) e duas pinturas de John McGinn em três minutos, virou o agregado de 1x1 — herança da derrota por 1x0 no jogo de ida em Nottingham — em 4x1 e mandou os ingleses a Istambul, onde encontram o SC Freiburg no dia 20 de maio.

Os números da virada em Villa Park

A noite cabe num gráfico de eficiência ofensiva. O Villa finalizou 18 vezes contra um Forest que se contraiu cedo; converteu quatro dessas tentativas; e empilhou quatro gols em 80 minutos — três deles entre o intervalo e os 80 do segundo tempo, no espaço em que o adversário precisava controlar o ritmo para preservar a vantagem mínima da ida.

A linha do tempo conta a história tática:

  • 23' — Watkins zera a desvantagem agregada com chute de dentro da área após troca de passes pela direita.
  • 58' — Buendía amplia em cobrança de pênalti, sem chance para Sels.
  • 77' — McGinn estica, recebe lançamento de Morgan Rogers e acerta canto inferior esquerdo: 3x0.
  • 80' — McGinn de novo, agora com assistência de Watkins, em finalização de fora da área. 4x0.

Os 12 minutos entre o terceiro e o quarto gol resumem o desnível físico que o Forest exibiu desde os 60 minutos. O time de Vitor Pereira terminou com 0 chutes no alvo — primeira vez na temporada — e perdeu o domínio territorial que havia construído em Nottingham. Buendía, escolhido o melhor da partida, distribuiu nove passes-chave, segundo dados consolidados pela TNT Sports.

O projeto Unai Emery em quatro temporadas

Para entender por que o feito não é uma fagulha, vale comparar a régua de Emery desde que assumiu, em outubro de 2022. O técnico basco recebeu um time que oscilava na metade inferior da Premier League e o reposicionou como cliente fixo da Europa em três janelas.

A escalada anual (todas competições, fonte: dados oficiais e Premier League):

TemporadaPosição na PLCompetição europeiaResultado
2022-23Vaga na Conference League
2023-24Conference LeagueSemifinal
2024-25Champions LeagueQuartas (eliminado pelo PSG)
2025-26em disputaEuropa LeagueFinal

A continuidade é a parte que mais salta. Em três temporadas e meia, o Aston Villa foi da metade da tabela inglesa a uma quarta de Champions (2024-25), batendo Bayern em Birmingham e perdendo o agregado por 5x4 para o eventual finalista parisiense. Agora, ao chegar à decisão da Europa League, Emery cruza um marco pessoal: pode se tornar o primeiro técnico a ganhar cinco edições da competição, depois das três conquistas com o Sevilla (2014, 2015, 2016) e da taça com o Villarreal em 2021.

Os números individuais reforçam o argumento. Na primeira metade desta temporada, os Villans emendaram 11 vitórias seguidas em todas as competições, igualando recordes do clube de 1897 e 1914. Na fase de liga da Europa League, terminaram em segundo, com sete vitórias em oito jogos. O caminho mata-mata foi: Lille (oitavas), Bologna (quartas) e Forest (semifinal).

O caminho até Istambul e o que mudou em campo

A volta no Villa Park foi um espelho invertido da ida. Em Nottingham, na semana passada, o Forest cresceu no segundo tempo e converteu um pênalti polêmico de Chris Wood, marcado após revisão do VAR por toque de mão de Lucas Digne. Igor Jesus, brasileiro contratado pelo Forest, esteve perto de ampliar e travou bem a saída de bola adversária. Os ingleses voltaram a Birmingham com a vantagem mínima e a expectativa de jogar pelo zero a zero.

Emery resolveu o problema antes da bola rolar. Recolocou Buendía como meia central — função que o argentino vinha exercendo apenas em emergências — e usou Morgan Rogers como segundo atacante por dentro, comprimindo o setor de criação do Forest. O resultado foi previsível: o Villa dominou os dois primeiros corredores em todos os indicadores. A diferença em passes no terço final beirou os 70% para o time da casa, segundo a Sky Sports.

O Forest, sem o brilho intermitente que carregou na campanha de oitavas, travou no setor de meio. O técnico português Vitor Pereira tirou Igor Jesus aos 70 minutos numa tentativa de mudar o eixo, mas a substituição chegou atrasada — McGinn marcaria duas vezes nos sete minutos seguintes.

O que está em jogo na decisão de 20 de maio

Em Istambul, o adversário será o SC Freiburg. Os alemães reverteram o 2-1 sofrido em casa contra o Braga e venceram a volta por 3-1, no agregado 4-3, classificando-se com a estreia inédita numa final europeia. É um clube de orçamento inferior ao Aston Villa, sem o histórico continental dos ingleses, e jogará pelo simbolismo de fechar uma temporada inesperada com um troféu europeu — algo nunca alcançado em sua história.

Para o Villa, a decisão tem outro peso. Vencer a Europa League significa:

  1. Vaga garantida na Champions League 2026-27, independentemente da posição final na Premier League.
  2. Premiação UEFA: cerca de €7 milhões ao campeão, somando bônus de fase mata-mata.
  3. Encerrar um jejum de 44 anos sem títulos europeus — o último foi a Copa dos Campeões 1981-82, com Withe decidindo contra o Bayern em Roterdã.
  4. Coroar Emery como o técnico mais bem-sucedido na história da competição, em sua quinta final.

O calendário ajuda. A Premier League corre até 24 de maio, mas o jogo de 20/5 acontece entre rodadas, sem desgaste imediato. Emery, que descreveu a virada de quinta como "o que sonhamos quando viemos para cá", terá nove dias para preparar uma final que pode reposicionar o Aston Villa não apenas em uma temporada, mas em uma década inteira de história europeia.

A última vez que os Villans escutaram um árbitro apitar uma decisão continental, ainda não existia VAR, redes sociais ou Premier League. Quarenta e quatro anos depois, o time voltou — e dessa vez chegou ao próprio jeito do projeto que o trouxe até aqui: com método, paciência e um técnico que, em 2026, encontra na Europa League o palco que conhece melhor do que ninguém.

Perguntas frequentes

Quando é a final da Europa League 2026?
A decisão será no dia 20 de maio de 2026, no Beşiktaş Park, em Istambul, na Turquia.
Quem vai jogar a final da Europa League 2026?
Aston Villa, da Inglaterra, e Freiburg, da Alemanha. Os ingleses eliminaram o Nottingham Forest e os alemães passaram pelo Braga.
Quanto tempo o Aston Villa estava sem jogar uma final europeia?
Quarenta e quatro anos. A última decisão dos Villans foi a Copa dos Campeões 1981-82, contra o Bayern de Munique, vencida por 1x0 com gol de Peter Withe em Roterdã.
Quem marcou os gols do Aston Villa no 4x0 sobre o Forest?
Ollie Watkins abriu o placar, Emiliano Buendía ampliou em pênalti aos 58 e John McGinn fez dois — aos 77 e 80 minutos — para fechar a goleada no Villa Park.

Fonte: UEFA, Sky Sports, TNT Sports, RTÉ, Aston Villa FC | Informações adicionais por Beira do Campo

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Thiago Borges
Thiago Borges

Analista de Dados

Cientista de dados e fanático por futebol. Usa estatísticas avançadas (xG, xA, PPDA) para desvendar o que os olhos não veem. Transforma números em histórias.