Santos 1x2 Inter: Neymar marca, Santos perde e Vojvoda cai
Na Vila Belmiro, Neymar converteu pênalti mas o Santos perdeu para o Inter com gol de Carbonero nos acréscimos. Vojvoda foi demitido ainda na madrugada. A crise do Peixe se aprofunda.


Não adiantou Neymar converter o pênalti. Não adiantou 61% de posse de bola, 17 chutes e 8 escanteios. O Santos saiu derrotado da Vila Belmiro por 2 a 1 para um Internacional que jogou com 39% de posse, criou poucas jogadas e decidiu o jogo em cima da hora com Johan Carbonero nos acréscimos. O técnico Juan Pablo Vojvoda foi demitido ainda na madrugada, antes mesmo de dar entrevista coletiva. Bem-vindo à crise sem fundo do Peixe.
Como o Santos perdeu um jogo que foi dono do início ao fim
A Vila Belmiro recebeu 10.031 pagantes na noite de quarta-feira, 18 de março. O Santos controlou o jogo do começo ao fim — no papel. Na prática, desperdiçou chance atrás de chance, teve um gol de Gabigol anulado pelo VAR no primeiro tempo por impedimento milimétrico, e tomou um gol de Zé Ivaldo contra logo no início do segundo tempo, após escanteio batido por Bruno Gomes.
Neymar reagiu às vaias: converteu o pênalti (cometido por Vitinho sobre Moisés) com muita frieza por volta dos 55 minutos. Tão frieza que subiu no alambrado para comemorar com a torcida e levou cartão amarelo. Daria para ser apenas um gesto emotivo num momento importante — mas o Santos não soube fechar o jogo, e os 90+5 minutos chegaram para sepultar mais uma noite de pesadelo.
Carbonero entrou no segundo tempo, estava em campo há menos de dez minutos, e completou para o gol após Brazão defender chute de Vitinho. 2 a 1 para o Inter. Fim de papo.
Vojvoda demitido sem entrevista: o símbolo de uma crise mal gerida
O técnico argentino não falou à imprensa após o jogo. Não porque não quis — foi porque já havia sido demitido quando os repórteres esperavam por ele na sala de coletiva. O anúncio da saída foi feito pelo gerente de comunicação do clube às margens da madrugada, enquanto o diretor executivo Alexandre Mattos estava suspenso pelo TJD e o presidente Marcelo Teixeira estava no Paraguai, no sorteio da Copa Sul-Americana.
Vojvoda havia chegado ao Santos em agosto de 2025 para uma missão de curto prazo: salvar o clube do rebaixamento. Cumpriu o combinado. Mas a temporada 2026 trouxe um elenco novo, resultados instáveis e a paciência zero de uma torcida que vive entre a nostalgia do clube que foi e a angústia do que se tornou.
A derrota para o Inter — time que estava em 17º lugar com 3 pontos antes da partida — encheu o copo. A torcida protestou contra Vojvoda, contra Alexandre Mattos e contra o presidente Teixeira. E o clube respondeu com a saída mais ruidosa possível: demissão na calada da noite, sem dar satisfação pública. Gestão de crise pela crise.
O nome de Cuca circula nos bastidores como principal candidato à vaga.
Os números de uma noite frustrante
O Santos dominou as estatísticas e não ganhou. É o tipo de derrota que dói mais do que a goleada óbvia, porque exige explicação, e as explicações do futebol raramente satisfazem.
| Estatística | Santos | Internacional |
|---|---|---|
| Posse de bola | 61% | 39% |
| Chutes totais | 17 | 11 |
| Chutes no gol | 6 | 2 |
| Escanteios | 8 | 3 |
| Grandes chances | 3 | 1 |
| xG | 1.19 | 1.17 |
O xG — métrica que mede a probabilidade de gol pelas chances criadas — ficou empatado em 1.17 e 1.19. O Inter aproveitou suas poucas oportunidades com eficiência brutal. O Santos não soube fazer o mesmo. No Santos 1x1 Corinthians da rodada 6, o time já havia mostrado dificuldade em converter chances de qualidade. O problema não é novo.
Neymar: o gol não salva ninguém
Neymar marcou. É verdade. Converteu o pênalti com precisão, levou a Vila ao delírio por um momento, subiu no alambrado e ganhou um amarelo de recordação. Mas um gol não transforma uma noite ruim em boa — e a derrota ficou.
Na grande noite que protagonizou contra o Vasco, Neymar havia mostrado que ainda tem capacidade de mudar jogos. Ontem, saiu aos 90 minutos, com o Santos ainda vivo no placar, mas incapaz de segurar a pressão final. É um time que depende demais de momentos individuais e de menos de uma ideia coletiva — exatamente o problema que Vojvoda não conseguiu resolver.
Com 6 pontos em 7 jogos, o Santos ocupa a faixa entre a 14ª e 16ª posição. O clube que já foi bicampeão mundial não está no Z4, mas a distância para a zona de rebaixamento é pequena. E segundo o raio-x do Brasileirão 2026, o Santos era justamente um dos times que os especialistas apontavam como potencial candidato à zona de perigo.
O Inter, por sua vez, saiu do Z4 com sua primeira vitória na competição. São 5 pontos agora, em 17º lugar. Uma vitória que veio com os pés no chão e a eficiência fria de um clube que, apesar das dificuldades, aproveitou o que tinha.
O que vem pela frente
O Santos precisa de um técnico. Cuca aparece como favorito, mas a situação do clube é delicada: estrutura em crise, diretoria sob fogo e torcida no limite. Qualquer nome que aceitar a função vai precisar de resultados imediatos — porque na Vila Belmiro não há paciência sobrando.
O próximo jogo do Santos pelo Brasileirão ainda não tem data confirmada. O Internacional, por sua vez, volta aos gramados com um pouco mais de fôlego e um objetivo claro: sair da zona de rebaixamento o quanto antes.
A rodada 7 foi cruel para quem achou que o Brasileirão teria donos definidos logo cedo. O São Paulo perdeu a liderança, o Santos demitiu o técnico, o Inter respirou na beira do abismo. O campeonato mal começou — e já parece longo.
Fonte: CNN Brasil, Lance!, Santos FC Oficial | Informações adicionais por Beira do Campo

Colunista
Neide Ferreira, 58 anos de paixão pelo futebol. Colunista que não tem medo de falar o que pensa. Voz da torcida, defensora do futebol raiz e inimiga da hipocrisia no esporte.


