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Bolívia e Jamaica buscam Copa 2026 na repescagem intercontinental

Quatro seleções de cinco confederações entram em campo no México nesta quinta-feira para disputar as duas últimas vagas do torneio intercontinental da Copa 2026. Bolívia, Suriname, Jamaica e Nova Caledônia jogam suas fichas.

Marcos Vinícius Santos
Marcos Vinícius Santos
6 min de leitura
Bolívia e Jamaica buscam Copa 2026 na repescagem intercontinental
Ilustração — Estádio BBVA em Monterrey, palco da semifinal entre Bolívia e Suriname pela Copa 2026

Há histórias no futebol que nenhuma ficha de scouting consegue capturar. A Bolívia não vê uma Copa do Mundo desde 1994 — 32 anos, uma geração inteira, dois presidentes da FIFA, cinco gerações de torcedores que nunca viram os seus jogarem num Mundial. O Suriname jamais esteve lá. A Jamaica foi uma vez, em 1998, e a memória dos "Reggae Boyz" ainda aquece os corações caribenhos. Nova Caledônia é um território francês no Pacífico sul que a maioria das pessoas mal consegue localizar no mapa.

Nesta quinta-feira, todos eles jogam em solo mexicano por uma vaga na Copa do Mundo de 2026. Duas vagas. Quatro sonhos. O futebol sendo o que ele é: cruel e generoso na mesma tacada.

O que está em jogo: o torneio intercontinental e suas duas vagas

A Copa do Mundo de 2026 tem 48 seleções, e o processo para preencher essas vagas é um labirinto de confederações e repescagens. Enquanto a Europa decide seus passaportes nas semifinais da repescagem UEFA, o torneio intercontinental opera em outra lógica: cinco confederações, seis seleções, dois caminhos, duas vagas.

A estrutura não tem misericórdia: jogo único eliminatório, sem jogo de volta. Em caso de empate no tempo normal, prorrogação e pênaltis. As semifinais são hoje, no México. As finais, em 31 de março. Os vencedores das semifinais enfrentam seleções com bye direto à final — o Iraque (AFC) no Pathway 2 e a RD Congo (CAF) no Pathway 1.

PathwaySemifinal (26/mar)Final (31/mar)
Pathway 1Nova Caledônia x JamaicaRD Congo x vencedor
Pathway 2Bolívia x SurinameIraque x vencedor

Os dois que sobreviverem às finais entram na Copa 2026 como os últimos classificados do planeta.

Bolívia x Suriname: o retorno que uma nação espera há 32 anos

CompetiçãoRepescagem Intercontinental Copa 2026 — Semifinal Pathway 2
Data/Hora26/03/2026 — 23h00 BRT
LocalEstadio BBVA, Monterrey, México
Onde assistirSporTV 2, CazéTV, FIFA+
Vencedor enfrentaIraque (31/mar)

A Bolívia de 1994 tem uma aura particular no imaginário sul-americano. Foi a última vez em que os altiplânicos chegaram a um Mundial — e aquela campanha classificatória incluiu vitórias históricas em La Paz, o símbolo eterno da dificuldade de jogar a 3.600 metros de altitude. Trinta e dois anos depois, Marco Antonio Etcheverry já é lenda. E a Bolívia chega a Monterrey com uma geração que carrega o peso de toda essa ausência.

O líder da ofensiva é Miguel Terceros, meia-atacante que marcou sete gols nas eliminatórias CONMEBOL — segundo maior artilheiro de toda a competição. No gol, o veterano Carlos Lampe, com 38 anos, acumula décadas de seleção. Na defesa, o jovem Diego Arroyo, 20 anos, leva a camisa boliviana pelo Shakhtar Donetsk. Uma mistura de urgência e novidade.

A campanha foi irregular — a Bolívia terminou em 7º na CONMEBOL com 20 pontos. O desafio em Monterrey é diferente: campo neutro, sem altitude, a magia geográfica desaparece. Resta o futebol puro.

Do outro lado, o Suriname vive um momento inédito. A seleção do pequeno país da América do Sul nunca esteve em uma Copa do Mundo. A campanha pela CONCACAF foi a melhor da história da federação — incluindo goleada de 4-0 sobre El Salvador. O time mistura jogadores com raízes europeias, como Sheraldo Becker (Mainz) e Joël Piroe (Leeds United, convocado pela primeira vez em 2026), com a identidade caribenha de quem nada tem a perder. O técnico holandês Henk ten Cate, experiente em Europa, montou um time compacto, difícil de ser batido.

O favoritismo é boliviano. Mas quem torce para histórias bonitas pode torcer pelo Suriname sem medo de errar.

Nova Caledônia x Jamaica: David contra Davi

CompetiçãoRepescagem Intercontinental Copa 2026 — Semifinal Pathway 1
Data/Hora26/03/2026 — 02h00 BRT (madrugada de sexta, 27/03)
LocalEstadio Akron, Zapopan/Guadalajara, México
Onde assistirSporTV, CazéTV
Vencedor enfrentaRD Congo (31/mar)

Se o primeiro jogo é sobre um gigante regional tentando ressurgir, o segundo é sobre dois outsiders que chegaram onde ninguém esperava.

A Jamaica foi ao Mundial de 1998 na França e venceu o Japão numa das surpresas do torneio. Os "Reggae Boyz" marcaram a Copa com estilo e alegria caribenha — e até chegaram a enfrentar o Brasil que viria a ser vice-campeão naquele ano. Kasey Palmer, Kemar Roofe e Cory Burke lideram o ataque agora. Mas há turbulência: Shamar Nicholson, maior artilheiro da campanha com cinco gols, foi cortado pelo técnico interino Rudolph Speid numa decisão que gerou controvérsia interna. A Jamaica tem o favoritismo técnico, mas chega sem plena tranquilidade.

A Nova Caledônia é outro mundo — literalmente. O território francês no Pacífico sul tem menos de 300 mil habitantes. A maioria dos jogadores convocados atua na liga local ou no quinto nível do futebol francês. O único europeu de alguma expressão é Jekob Jeno, do Unirea Slobozia da Romênia. O técnico Johann Sidaner foi honesto ao falar com a imprensa antes da viagem: "Talvez tenhamos 1% de chance de nos classificar para a Copa do Mundo. Mas vamos jogar 100% para conseguir."

Esse 1% existe. No futebol, sempre existe.

Palpite: o que esperar desta quinta-feira histórica

A Bolívia tem o favoritismo e a motivação de uma geração que não pode desperdiçar mais uma chance. Terminar em sétimo nas eliminatórias CONMEBOL não apaga Miguel Terceros nem o peso emocional de 32 anos sem Copa. Bolívia avança, com atenção à frieza do Suriname nos contra-ataques.

Já em Guadalajara, a Jamaica entra como favorita clara — mas a Nova Caledônia tem o coração enorme e absoluta ausência de pressão. Às vezes basta isso para assustar. Jamaica avança, porém pode sofrer antes de confirmar.

As finais de 31 de março dirão quem vai ao México 2026 como um dos últimos classificados da história do maior Mundial de todos os tempos.

Fonte: FIFA, beIN Sports, NBC Sports, ESPN | Informações adicionais por Beira do Campo

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Marcos Vinícius Santos
Marcos Vinícius Santos

Correspondente Internacional

Morou 8 anos na Europa cobrindo as principais ligas. Fluente em inglês, espanhol e italiano. Acompanha de perto brasileiros no exterior e os bastidores do futebol europeu.