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Remo 1x1 Vasco: Cruz-Maltino sai na frente, vacila no fim e empata no Mangueirão

Andrés Gómez abriu o placar no 2º tempo, mas Marllon cabeceou o empate aos 83' e o Vasco voltou sem vitória de Belém. Mais um 'quase' numa campanha que pede mais.

Neide Ferreira
Neide Ferreira
5 min de leitura
Remo 1x1 Vasco: Cruz-Maltino sai na frente, vacila no fim e empata no Mangueirão
Vasco cedeu o empate ao Remo nos minutos finais no Mangueirão — Foto: Reprodução / ESPN

Chuva em Belém, jogo atrasado 30 minutos e um Vasco que chegou com moral depois da vitória sobre o Fluminense. O roteiro parecia promissor. Mas o Cruz-Maltino, fiel à sua própria contradição, abriu o placar, dominou o jogo durante a maior parte do segundo tempo e ainda assim não saiu com os três pontos do Mangueirão. O colombiano Andrés Gómez colocou o Vasco na frente aos 8 do segundo tempo, mas o capitão Marllon cabeceou o empate do Remo aos 38 do segundo tempo, num lance ensaiado em cobrança de falta de Diego Hernández. Resultado: 1 a 1. Mais um tropeço fora de casa.

Com esse empate, o Vasco chega a 13 pontos e ocupa provisoriamente a 11ª posição na tabela. O Remo, com 8, permanece na 19ª, dentro da zona de rebaixamento — mas sem vergonha alguma de ter arranhado o grande visitante de São Januário.

O gol que animou e o pesadelo que não some

Por mais de meia hora do segundo tempo, o Vasco pareceu o time que finalmente ia resolver. Andrés Gómez, o centroavante colombiano que ganhou espaço com a ausência de Brenner, recebeu bem na área e bateu no contrapé de Rangel para abrir o marcador. Era o momento de administrar. Era o momento de mostrar que a equipe de Renato Gaúcho aprendeu a jogar sob pressão fora de casa.

Não aprendeu.

Aos 38 do segundo tempo, Diego Hernández cobrou falta pela esquerda, a bola subiu no centro da área e o capitão do Remo, Marllon, subiu mais alto que toda a defesa vascaína para cabecear para o fundo das redes. O Mangueirão explodiu. Léo Jardim não teve chance. O Vasco ficou paralítico.

O gol não caiu do céu. Caiu de uma bola parada — exatamente o ponto cego que o clube paulistano não consegue solucionar. Quem acompanha o Cruz-Maltino de perto sabe que essa vulnerabilidade na bola parada é um problema recorrente na temporada. E quando o adversário tem um capitão do porte de Marllon no setor aéreo, a conta sempre chega.

19 finalizações, 3 no alvo: o domínio que não converte

Os números do jogo são, no mínimo, constrangedores para o Vasco. A equipe carioca finalizou 19 vezes contra apenas 12 do Remo. Teve mais posse de bola, ocupou o campo adversário e criou situações de gol suficientes para vencer com folga. E ainda assim saiu de campo com apenas um ponto.

Apenas 3 dessas 19 finalizações foram no gol. Três. O Remo, por outro lado, acertou apenas 2 dos seus 12 chutes — e um deles entrou.

Essa é a síntese cruel da noite: o Vasco teve o jogo nas mãos e deixou escapar pelos dedos. O time tem volume, tem organização tática suficiente para se impor mesmo com a chuva que alagou a cidade de Belém antes do apito inicial, mas carece de precisão nas finalizações e, mais grave ainda, de concentração no último terço de jogos que deveriam estar definidos.

Antes da partida, a reportagem do portal já apontava as dificuldades que o Vasco enfrentaria longe de casa com Puma suspenso e Brenner em dúvida. Sem o centroavante titular, Andrés Gómez resolveu o problema do gol — mas a fragilidade defensiva apareceu na hora errada, como de costume.

A escalação e os protagonistas da noite

Remo: Marcelo Rangel; Marcelinho, Marllon, Tchamba e Mayk; Zé Ricardo, Picco e Braga; Jajá, Alef Manga e Taliari.

Vasco: Léo Jardim; Paulo Henrique, Saldivia, Robert Renan e Cuiabano; Cauan Barros, Tchê Tchê, Thiago Mendes e Rojas; David e Andrés Gómez.

Do lado remoísta, Marllon foi o nome da noite. O zagueiro-capitão teve uma partida consistente na saída de bola, comandou a defesa com autoridade e ainda marcou o gol decisivo com a cabeça. É o tipo de líder que faz falta quando o jogo aperta.

Do lado vascaíno, Andrés Gómez foi o jogador mais perigoso em campo — e o único que correspondeu plenamente. O colombiano carregou a responsabilidade do ataque, marcou o gol e ainda tentou sacudir o time nos minutos finais. Não foi suficiente, mas a culpa não foi dele.

O próximo passo do Vasco

Com 13 pontos após 11 rodadas, o Vasco não está em crise declarada — mas também não está onde deveria estar. O empate no Mangueirão é mais um dado numa série de resultados que revelam um time que sabe jogar mas ainda não sabe ganhar quando a pressão chega.

A Rodada 12 traz uma oportunidade e um risco ao mesmo tempo: o clássico entre times que disputam a zona intermediária da tabela já mostrou nessa rodada que a Série A não tem jogo fácil em 2026. Para o Remo, a missão é ainda mais urgente: sair da zona de rebaixamento com 8 pontos num campeonato em que a margem de erro é quase nula.

O Cruz-Maltino tem talento. Tem um técnico de peso. Tem torcida e estrutura para brigar por coisas maiores. Mas enquanto continuar cedendo gols de cabeça em bola parada nos acréscimos, vai continuar saindo de Belém sem os três pontos que precisava.

Não é falta de qualidade. É falta de foco. E foco se cobra.


Fonte: ESPN Brasil

Fonte: ESPN, Lance!, VAVEL | Informações adicionais por Beira do Campo

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Neide Ferreira
Neide Ferreira

Colunista

Neide Ferreira, 58 anos de paixão pelo futebol. Colunista que não tem medo de falar o que pensa. Voz da torcida, defensora do futebol raiz e inimiga da hipocrisia no esporte.