Pedrinho suspenso por 15 dias: STJD pune presidente do Vasco
Plenário do STJD condenou Pedrinho por conduta inadequada após Cruzeiro 3x3 Vasco no Mineirão, revertendo absolvição de primeira instância.


O Plenário do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) condenou, nesta quarta-feira (15), o presidente do Vasco da Gama, Pedrinho, a 15 dias de suspensão por conduta inadequada após o empate de 3 a 3 com o Cruzeiro, no Mineirão, em 15 de março. A decisão foi unânime e reverteu a absolvição de primeira instância obtida pelo dirigente semanas antes.
O que aconteceu no Mineirão
A origem do processo foi uma confusão registrada nos corredores internos do Mineirão ao fim do duelo pela sexta rodada do Brasileirão. Insatisfeito com a atuação do árbitro Lucas Paulo Torezin — especialmente com a não marcação de dois pênaltis a favor do Vasco e os 11 minutos de acréscimo no segundo tempo, período em que o Cruzeiro marcou o gol do empate — Pedrinho avançou sobre o juiz na zona mista próxima ao vestiário da arbitragem.
Com o dedo em riste, o presidente teria dito ao árbitro: "Você sempre prejudica o Vasco quando jogamos fora de casa. Me prejudicou com o Palmeiras, na casa deles, e aqui de novo — com os pênaltis que você não marcou e essas adições. Você é arrogante, presunçoso e prepotente."
A situação escalou a ponto de exigir intervenção da Polícia Militar de Minas Gerais. Um dos agentes acionou spray de pimenta em direção ao chão para dispersar o grupo, provocando irritação nos olhos e tosse nos árbitros presentes.
Você pode conferir como foi o jogo que originou o caso em nossa cobertura: Cruzeiro 3x3 Vasco: relembre o duelo que virou processo no STJD.
Por que a absolvição foi revertida
Em primeira instância, Pedrinho havia sido absolvido. A Procuradoria recorreu, e o argumento fez o Plenário mudar o rumo. Os auditores entenderam por unanimidade que a conduta do presidente extrapolou o limite de uma "desabafada" e levou em conta três fatores principais:
- Necessidade de intervenção policial — a presença das forças de segurança evidenciou que a situação fugiu do controle;
- Repercussão institucional — como máxima liderança de um clube do Série A, a postura de Pedrinho amplifica os impactos negativos;
- Honra pessoal atingida — as declarações do presidente excederam a crítica técnica à arbitragem e atacaram diretamente o caráter do árbitro.
A defesa do dirigente alegou prazo exíguo para apresentação de contraditório e anexou depoimento do próprio árbitro Torezin declarando não se sentir ofendido — argumentos que o Plenário considerou insuficientes para reverter a condenação.
Pedrinho foi enquadrado no artigo 258, parágrafo 2º, inciso II do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que prevê suspensão de 15 a 180 dias. O tribunal aplicou a pena mínima.
Impacto para o Vasco
A suspensão afasta Pedrinho de qualquer atividade ligada ao futebol pelos próximos 15 dias — o que inclui acesso a concentrações, jogos e instalações esportivas oficiais. O Vasco, que vem de empate com o Remo na última rodada do Brasileirão e tenta encontrar regularidade sob o comando de Renato Gaúcho, agora terá de navegar um período delicado com seu presidente afastado de campo.
O clube ainda disputa a Copa Sul-Americana pelo Grupo E, onde enfrentou o Racing em Avellaneda nesta quarta — em rodada que movimentou os grupos do torneio continental.
Fontes do Vasco não se pronunciaram oficialmente até o fechamento desta nota. O caso reacende o debate sobre os limites entre a paixão pelo clube e a conduta esperada de dirigentes em ambientes institucionais, especialmente em momentos de alta tensão dentro das quatro linhas.
Fonte: Portal Tela / Bahia Notícias | Informações adicionais por Beira do Campo

Editor-chefe
Jornalista esportivo com 15 anos de experiência cobrindo futebol brasileiro. Ex-repórter da Gazeta Esportiva e colaborador do Lance!. Especialista em mercado da bola e bastidores dos grandes clubes.


