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O encaixe de Paquetá: o desafio tático que Filipe Luís precisa resolver no Flamengo

Maior contratação da história do futebol brasileiro, Lucas Paquetá ainda busca seu melhor posicionamento no Flamengo. A Recopa expôs o dilema tático que o técnico enfrenta.

Patrícia Mendes
Patrícia Mendes
5 min de leitura
O encaixe de Paquetá: o desafio tático que Filipe Luís precisa resolver no Flamengo
Lucas Paquetá durante partida pelo Flamengo — meia ainda busca seu melhor posicionamento tático

A derrota para o Lanús na Recopa Sul-Americana deixou cicatrizes profundas no Flamengo. Mas além da frustração do vice-campeonato, o jogo expôs uma questão tática que Filipe Luís precisa resolver com urgência: como encaixar Lucas Paquetá no time de forma que o jogador possa render o que sabe sem comprometer o equilíbrio da equipe.

A maior contratação da história do futebol brasileiro — o meia chegou por cerca de 42 milhões de euros do West Ham — ainda não encontrou seu melhor posicionamento no esquema rubro-negro. E o tempo urge.

O dilema de Filipe Luís

O técnico do Flamengo tem alternado Paquetá entre duas funções distintas, sem conseguir extrair o máximo do jogador em nenhuma delas. No clássico contra o Botafogo, pela Supercopa, o meia atuou como volante de saída de bola, com liberdade para chegar à área. Contra o Lanús, na decisão da Recopa, foi barrado do time titular e entrou no segundo tempo pela direita — posição onde claramente não se sente confortável.

"Meu pensamento é usá-lo na frente, na direita ou na esquerda. Contra o Botafogo ele jogou podendo ter a liberdade de chegar na área, mas marcando como volante. Os volantes da minha equipe têm funções muito específicas, são o coração do time." — Filipe Luís, em entrevista ao Premiere

O problema é que Paquetá deixou claro que prefere atuar mais avançado, como meia ofensivo ou até como ponta invertida — funções onde pode aproveitar sua qualidade técnica na finalização e nos últimos passes, sem as responsabilidades defensivas de um volante.

"Eu converso bastante com o Filipe, ele sabe muito bem onde me sinto à vontade de jogar. Estou à disposição para ajudá-lo da forma que for, hoje um pouco mais recuado, mas normalmente na minha posição." — Lucas Paquetá, ao Premiere

Os números não mentem

A temporada ainda está no início, mas os dados já mostram uma discrepância entre o investimento e o retorno. Em quatro jogos oficiais pelo Flamengo, Paquetá marcou um gol — justamente quando atuou mais recuado, contra o Botafogo — mas ainda não deu assistências e tem média de apenas 1,2 passes decisivos por partida.

Para efeito de comparação, na temporada 2024/25 pelo West Ham, na Premier League, o meia terminou com média de 2,3 passes decisivos por jogo e contribuiu com 8 gols e 6 assistências em 36 partidas. Ainda não é o Paquetá que o torcedor rubro-negro esperava ver.

O custo de não ter um meia de contenção puro

A escolha de Filipe Luís em usar Paquetá como volante revela uma carência do elenco: a falta de um primeiro homem de meio-campo especialista na contenção. Com a saída de João Gomes para o Wolverhampton, o Flamengo ficou desprovido de um jogador com as características de "cão de guarda" que o esquema tático exige.

Allan e Pulgar podem fazer essa função, mas ambos têm limitações na construção de jogo. Erick Pulgar é mais posicional e seguro na marcação, mas pouco participativo na saída de bola. Allan tem mais mobilidade, mas às vezes se perde em posicionamento.

Ao tentar transformar Paquetá em uma solução para esse problema, Filipe Luís arrisca neutralizar justamente o que o jogador tem de melhor: a criatividade ofensiva.

O que os especialistas dizem

Analistas consultados pelo portal apontam que o Flamengo precisa definir uma identidade de jogo clara antes de conseguir extrair o máximo de suas estrelas.

"O time está oscilando demais. Em alguns momentos, tenta ser propositivo e pressionar alto. Em outros, recua demais e fica à mercê do adversário. Paquetá é um jogador que precisa de um time bem estruturado para brilhar — ele não é o cara que vai resolver sozinho jogadas desorganizadas", avalia um observador técnico que acompanha de perto o dia a dia do clube.

O caminho à frente

O calendário não dá trégua. O Flamengo estreia na Libertadores na próxima semana e precisa encontrar soluções rápidas. Para Patricia Mendes, a solução passa por uma decisão clara de Filipe Luís:

"O técnico precisa escolher: ou encontra um volante de contenção puro para liberar Paquetá, ou aceita que o meia vai render abaixo do esperado. Não dá para ter os dois mundos. A boa notícia é que a janela complementar de março pode trazer reforços para essa posição."

A torcida rubro-negra espera ver logo o Paquetá que brilhou na seleção brasileira e que foi protagonista no Lyon. Mas para isso, o Flamengo primeiro precisa resolver o quebra-cabeça tático que a Recopa expôs com clareza.


Fontes consultadas: UOL Esporte, ge.globo, O Globo, Premiere

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Fonte: UOL Esporte / ge.globo / O Globo | Informações adicionais por Beira do Campo

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Patrícia Mendes
Patrícia Mendes

Analista Tática

Formada em Educação Física e pós-graduada em Análise de Desempenho Esportivo. Certificada pela UEFA em análise tática. Cobre futebol feminino e masculino com profundidade técnica.