Libertadores 2026: os desafios da 1ª rodada para os seis times brasileiros
A fase de grupos começa dia 7 de abril. Flamengo joga a 3.400m de altitude em Cusco, Cruzeiro enfrenta o Barcelona no Ecuador e Mirassol faz história. Veja o que esperar da estreia.


A Copa Libertadores 2026 começa na terça-feira, 7 de abril. Seis times brasileiros entram em campo já na primeira semana — e os desafios não são iguais para ninguém. Enquanto Palmeiras e Fluminense têm grupos administráveis, Flamengo vai jogar na maior altitude do primeiro turno continental e o Cruzeiro precisará sobreviver ao Grupo da Morte antes mesmo de chegar à fase eliminatória.
O sorteio definiu os grupos em março, mas agora a coisa ficou concreta: cronograma publicado, passagens compradas, elencos finalizados. A partir de quarta-feira, o Brasileirao divide espaço com a competição mais importante do continente.
Flamengo abre em Cusco, a 3.400 metros de altitude
O Rubro-Negro foi sorteado no Grupo A ao lado de Estudiantes (ARG), Cusco (PER) e Independiente Medellín (COL) — na teoria, um grupo favorável. Na prática, a estreia é a parte mais difícil.
Na quarta-feira (8/4), o Flamengo enfrenta o Cusco FC no Estadio Inca Garcilaso de la Vega, a 3.400 metros acima do nível do mar. A altitude peruana é um dos maiores obstáculos físicos do calendário sul-americano. Times que chegam sem aclimatação prévia tendem a perder entre 15% e 20% de capacidade aeróbica nos primeiros 45 minutos — e o Flamengo não tem folga no Brasileirao para viajar antes.
Ainda assim, o Rubro-Negro é o favorito da CONMEBOL ao título (cotado a 4.50 nas casas de aposta), com elenco amplo e estrutura para rodar peças. O técnico vai precisar decidir entre poupar titulares para a altitude ou mandar a força máxima para garantir uma boa largada no grupo.
Cruzeiro cai no Grupo da Morte com Boca Juniors
Dos seis brasileiros, o Cruzeiro tirou a pior pedra. O Grupo D reúne Boca Juniors (ARG), Universidad Católica (CHI) e Barcelona SC (ECU) — um conjunto que exigiria muito de qualquer time do continente.
A estreia é fora de casa: na terça-feira (7/4), o Cruzeiro visita o Barcelona SC em Guayaquil, no Estadio Monumental Banco Pichincha. O time equatoriano surpreendeu na Libertadores recente e joga com a altitude de Guayaquil em nível moderado — porém com uma torcida que pressiona demais.
A boa notícia cruzeirense é que o confronto contra o Boca Juniors — historicamente o jogo mais esperado do grupo — só ocorre na segunda rodada, dando ao time tempo para calibrar intensidade. O fato de Artur Jorge estrear com vitória pelo Cruzeiro no Brasileirao animou a torcida antes da viagem ao exterior.
Mirassol faz história, Fluminense e Palmeiras têm caminhos mais abertos
O Mirassol entra para a história como um dos menores times a disputar a Libertadores — e estreia em casa na quarta-feira (8/4), diante do Lanús (ARG), no Estádio José Maria de Campos Maia. O grupo G ainda tem LDU Quito (ECU) e Always Ready (BOL), adversários respeitáveis mas não intransponíveis para um time que chegou até aqui merecidamente.
O Fluminense tem o grupo C, que em tese é o mais acessível entre os brasileiros: La Guaira (VEN), Bolívar (BOL) e Independiente Rivadavia (ARG). A estreia é em Caracas na terça (7/4), antes da segunda rodada em casa, no Maracanã. Depois de anos difíceis no Brasileirao, a Libertadores pode ser o palco onde o Flu se recupera de imagem e confiança.
O Palmeiras cai no Grupo F com Cerro Porteño (PAR), Junior Barranquilla (COL) e Sporting Cristal (PER). A estreia é em Barranquilla (8/4), sem o nível de dificuldade dos adversários de Cruzeiro ou Flamengo. Ser o segundo favorito ao título (cotado a 6.00) é reflexo direto de um elenco que segue entre os mais completos do continente.
O que esperar desta primeira rodada
Cinco jogos brasileiros em três dias é o cenário que os torcedores vão encarar logo na semana que vem — ao lado, é claro, da Rodada 9 do Brasileirao ainda em andamento. A logística vai ser intensa para os clubes e para o calendário de transmissões.
O ponto central é que a primeira rodada define o tom psicológico do grupo. Times brasileiros que saem atrás no início tendem a travar sob a pressão da altitude, do calendário e da distância — e times que abrem bem ganham margem para rodar elenco nas semanas seguintes. Cusco, Guayaquil e Barranquilla são destinos que nenhum europeu conhece no começo de temporada; os brasileiros também chegam sem experiência prévia com a maioria desses adversários em 2026.
O favoritismo é real — desde 2019, o Brasil não para de ganhar a Libertadores. Mas favoritismo não entra em campo: a estreia de cada um é que vai dizer se 2026 vai seguir a sequência.
Fonte: CONMEBOL, CNN Brasil, Lance | Informações adicionais por Beira do Campo

Editor-chefe
Jornalista esportivo com 15 anos de experiência cobrindo futebol brasileiro. Ex-repórter da Gazeta Esportiva e colaborador do Lance!. Especialista em mercado da bola e bastidores dos grandes clubes.


