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Internacional bate Chapecoense e sai do Z4 no Brasileirao

Mercado e Alan Patrick marcaram no Beira-Rio. Com a segunda vitória seguida, o Colorado chegou a 8 pontos e saiu da zona de rebaixamento. Os dados mostram uma equipe diferente sob Pezzolano.

Thiago Borges
Thiago Borges
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Internacional bate Chapecoense e sai do Z4 no Brasileirao
Internacional vence Chapecoense no Beira-Rio e escapa da zona de rebaixamento — Foto: Reprodução / Lance

Gabriel Mercado de peixinho no primeiro tempo. Alan Patrick na marca do pênalti após revisão do VAR. Internacional 2, Chapecoense 0. Dois gols, duas vitórias seguidas e um número que importa muito mais do que o placar: o Colorado deixou a zona de rebaixamento do Brasileirao 2026 pela primeira vez em seis rodadas.

O resultado no Beira-Rio neste domingo valeu mais do que três pontos. Nas seis primeiras rodadas, o Inter havia somado apenas 3 pontos — sem uma vitória sequer, acumulando quatro empates e duas derrotas. A curva inverteu nos últimos dois jogos, e os dados confirmam o que os olhos já sugeriam: alguma coisa mudou sob Paulo Pezzolano.

O que os números dizem

Quando o apito final soou em Porto Alegre, o Internacional ocupava a 12ª colocação com 8 pontos em 8 jogos. O número em si é modesto. O contraste com o ponto de partida, não.

Nas primeiras seis rodadas, o Inter fez 3 pontos — média de 0,5 por jogo. Nas rodadas 7 e 8 (vitória sobre o Santos por 2-1 e este 2-0 sobre a Chapecoense), somou 6 pontos — média de 3,0 por jogo. A curva de evolução não poderia ser mais evidente.

Dois outros dados reforçam a tendência:

PeríodoPontosGols marcadosGols sofridos
Rodadas 1–6347
Rodadas 7–8640

Zero gols sofridos em dois jogos seguidos. Para uma equipe que havia levado sete nas seis primeiras rodadas, essa solidez defensiva é o sinal mais animador emitido pelo Inter em toda a temporada. A crise do início do campeonato foi mapeada em detalhes aqui — o que tornava a recuperação ainda mais urgente.

Os gols e os dados que decidiram

O primeiro gol saiu de bola parada — categoria que voltou a funcionar para o Inter depois de trabalho específico na semana. Bruno Gomes bateu o escanteio, Vitinho desviou na primeira trave e Gabriel Mercado completou de peixinho no segundo poste, aos 27 minutos do primeiro tempo.

Mercado não é artilheiro por natureza: tem apenas dois gols no Brasileirao desde que chegou ao clube, ambos de bola parada. O dado isolado não impressiona, mas confirma uma característica que Pezzolano tem explorado — o Inter produz mais perigo em set pieces do que em jogadas abertas. O aproveitamento ofensivo nessa categoria dobrou nas últimas duas rodadas em relação à média das seis primeiras.

O segundo gol veio de situação diferente. Borré avançou pelo lado esquerdo, sofreu falta de Bruno Leonardo dentro da área e o VAR confirmou o pênalti. Alan Patrick foi para a bola, deslocou Léo Vieira com precisão e fez 2-0 logo no início do segundo tempo.

É o gol de pênalti de Alan Patrick no torneio. O camisa 10 ainda não atingiu sua melhor forma no campeonato, mas se mantém como referência central no esquema colorada — e a marca do pênalti tem funcionado como válvula de escape nos momentos de bloqueio criativo. Histórico consistente: 89% de aproveitamento em cobranças ao longo da carreira.

A Chapecoense encerrou o jogo com dez homens: Everton recebeu o segundo cartão amarelo nos acréscimos por falta em Thiago Maia, selando uma tarde de total domínio colorado.

Contexto e comparações

A situação da Chapecoense no Brasileirao 2026 merece atenção separada. O clube acumula seis tropeços consecutivos, chegou a 7 pontos e ocupa a 15ª posição. Mesmo fora do Z4 por diferença de saldo de gols, o panorama é preocupante: a equipe não vence desde a terceira rodada e marcou apenas 5 gols em oito partidas — o segundo pior ataque da competição.

Do lado colorado, a referência mais útil é o próprio histórico. A derrota para o Bahia na rodada 4 havia exposto as limitações táticas que Pezzolano vinha tentando corrigir. As mudanças entre as rodadas 6 e 7 parecem estar surtindo efeito real. O Brasileirao 2026 é um campeonato extremamente equilibrado: apenas 7 pontos separam o líder Palmeiras do 15º colocado após oito rodadas. Sair do Z4 com margem ainda mínima, mas com momentum positivo, é algo que tem peso concreto na tabela.

Para ter uma referência do outro extremo, basta olhar para o rival gaúcho. O Grêmio invicto há oito jogos sob Luis Castro mostra o que acontece quando um time começa a acertar todos os ponteiros ao mesmo tempo. O Inter está longe desse patamar — mas a trajetória, pela primeira vez na temporada, aponta na mesma direção.

A reação de Pezzolano: o que mudou na prática

Nos últimos dois jogos, Paulo Pezzolano fez ajustes pontuais com impacto desproporcional no resultado. A principal mudança foi no posicionamento de Thiago Maia como segundo volante de contenção, liberando Alan Patrick para atuar mais próximo ao ataque e criar em espaços mais adiantados.

O efeito defensivo foi imediato: dois jogos sem sofrer gol, com menos espaços entre as linhas e uma compactação que havia faltado nos meses anteriores.

Outro fator foi a utilização de Bruno Gomes como ala-esquerdo com perfil de cruzamento. Papel decisivo nos dois gols deste domingo — a cobrança de escanteio que originou o gol de Mercado e a triangulação no lance que resultou na penalidade sofrida por Borré. São ajustes cirúrgicos, não uma reforma completa, mas que produziram um resultado tangível.

A próxima tarefa do Inter é visitar o Athletico-PR na Arena da Baixada, na rodada 9. O Furacão também saiu vitorioso neste domingo, no clássico Atletiba, e chegará ao confronto com ritmo e confiança. Dois times em ascensão, contextos distintos, mas uma mesma urgência por pontos.

Com 8 pontos e o Z4 — ao menos provisoriamente — no retrovisor, o Inter tem compromissos diretos pela frente para confirmar que março é um ponto de virada, não apenas um espasmo positivo em uma campanha irregular. Os dados pedem cautela. A tendência, finalmente, pede atenção.


Dados de campanha e estatísticas via ESPN Brasil.

Fonte: Lance, ESPN Brasil, Gazeta Esportiva | Informações adicionais por Beira do Campo

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Thiago Borges
Thiago Borges

Analista de Dados

Cientista de dados e fanático por futebol. Usa estatísticas avançadas (xG, xA, PPDA) para desvendar o que os olhos não veem. Transforma números em histórias.