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Holanda na Copa 2026: a favorita que nunca foi campeã

Três finais perdidas, meio século sem taça e a fama de melhor time que nunca venceu. A Holanda de Ronald Koeman chega aos Estados Unidos com van Dijk, Frenkie de Jong e Memphis Depay — hoje no Corinthians — para encarar o Grupo F e tentar enterrar a maldição da Laranja Mecânica.

Marcos Vinícius Santos
Marcos Vinícius Santos
4 min de leitura
Holanda na Copa 2026: a favorita que nunca foi campeã
Holanda se reapresenta para a Copa 2026 sob o comando de Ronald Koeman — Foto: Reprodução / Lance!

Há seleções que colecionam taças. A Holanda na Copa 2026 chega aos Estados Unidos colecionando algo mais cruel: o rótulo de melhor time do mundo que nunca foi campeão mundial. Foram três finais — 1974, 1978 e 2010 — e três vezes o caneco escapou por entre os dedos de uma escola que reinventou o jogo. Meio século depois da Laranja Mecânica de Johan Cruyff, Ronald Koeman desembarca com 26 nomes e a pergunta que persegue gerações inteiras de holandeses: será que agora vai?

A maldição da Laranja Mecânica

Nenhuma seleção influenciou tanto o futebol e ganhou tão pouco. Em 1974, o time de Cruyff abriu o placar na final contra a Alemanha Ocidental antes de os anfitriões encostarem na bola — e perdeu. Em 1978, caiu diante da Argentina de Kempes no Monumental de Buenos Aires. Em 2010, na África do Sul, viu Andrés Iniesta calar o estádio na prorrogação. Três decisões, três vices, e a impressão de que a beleza nunca foi suficiente.

De lá para cá, a Holanda virou intermitente: terceiro lugar em 2014, ausência completa em 2018 e eliminação nas quartas para a Argentina, nos pênaltis, em 2022. O futebol total deu lugar a um pragmatismo defensivo que rendeu resultados, mas apagou parte do brilho. Koeman, ídolo como jogador e arquiteto desta versão, sabe que carrega nas costas tanto o legado quanto o trauma.

A geração de Koeman e a conexão brasileira

A espinha dorsal é toda de Premier League. Virgil van Dijk, capitão aos 34 anos, ainda é o zagueiro que a Holanda quer ver de pé nas noites de mata-mata. Frenkie de Jong, do Barcelona, é o cérebro que dita o ritmo entre as linhas. À frente, Cody Gakpo vive o auge no Liverpool e Tijjani Reijnders virou peça de confiança no Manchester City. Quando convocou os 26 nomes, Koeman montou um elenco caro, rodado e acostumado a decidir títulos pelos clubes.

O torcedor brasileiro tem um motivo extra para acompanhar de perto: Memphis Depay, hoje no Corinthians, vai à sua terceira Copa como referência de ataque e líder de vestiário. O atacante que a Fiel vê toda semana no Brasileirão será o homem de área de Koeman nos Estados Unidos — um elo improvável entre a Neo Química Arena e o Grupo F do Mundial.

Nem tudo é festa, porém. A Holanda perdeu Xavi Simons, seu meia mais criativo, para uma lesão no ligamento cruzado às vésperas do torneio. Sem ele, sobra músculo no meio-campo e falta o passe de ruptura que costuma destravar jogos truncados de Copa. É a baixa que mais dói num grupo que tem qualidade de sobra na defesa, mas vive uma eterna dúvida sobre quem inventa.

A Holanda na Copa 2026 começa pelo Grupo F

O sorteio foi camarada na teoria. No Grupo F, a Holanda estreia contra o Japão em 14 de junho, em Dallas, antes de encarar a Suécia (20/6, em Houston) e a Tunísia (25/6, em Kansas City). No papel, classificação encaminhada. Na prática, o Japão de hoje é técnico, veloz e não se intimida com cartaz — exatamente o tipo de adversário que já mandou favoritos europeus para casa.

O alerta, aliás, veio ainda na preparação. A oito dias do Mundial, a Holanda perdeu por 1 a 0 para a Argélia em Rotterdam, com Memphis em branco e cinco defesas de Luca Zidane do outro lado. Foi só um amistoso, mas escancarou o velho problema: muita posse de bola e pouca pontaria. Quando o relógio aperta e o adversário se fecha, a Laranja ainda gagueja diante do gol.

O que esperar da Holanda nos Estados Unidos

Com van Dijk e Frenkie de Jong, este é um time de quartas de final por padrão — e o teto chega às semis caso Gakpo e Memphis transformem domínio territorial em gols. É um projeto menos deslumbrante do que a Espanha que despachou os holandeses na final de 2010 e menos pressionado do que a Alemanha em busca de redenção, mas tem a experiência e a malícia que faltaram em campanhas recentes.

A história, no entanto, joga contra. Cinquenta e dois anos depois de Cruyff, a Holanda segue sendo o grande romance inacabado das Copas — a seleção que todos admiram e ninguém viu levantar a taça. Nos Estados Unidos, Koeman tem elenco para, enfim, mudar o desfecho. Ou para escrever mais um capítulo bonito e melancólico da maior promessa não cumprida da história do futebol.

Perguntas frequentes

Quando a Holanda estreia na Copa do Mundo 2026?
A Holanda estreia em 14 de junho de 2026, às 17h de Brasília, contra o Japão, em Dallas, pelo Grupo F.
Quem é o técnico da Holanda na Copa 2026?
Ronald Koeman comanda a seleção holandesa e convocou 26 jogadores para o Mundial dos Estados Unidos.
Memphis Depay foi convocado pela Holanda?
Sim. Memphis Depay, atacante do Corinthians, está na lista e disputará sua terceira Copa do Mundo.
Em que grupo está a Holanda na Copa 2026?
A Holanda está no Grupo F, ao lado de Japão, Suécia e Tunísia.

Fonte: Lance!, ESPN Brasil, FIFA | Informações adicionais por Beira do Campo

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Marcos Vinícius Santos
Marcos Vinícius Santos

Correspondente Internacional

Morou 8 anos na Europa cobrindo as principais ligas. Fluente em inglês, espanhol e italiano. Acompanha de perto brasileiros no exterior e os bastidores do futebol europeu.