G-4 embolado: os números que separam quatro times com 20 pontos no Brasileirão
Flamengo, São Paulo, Fluminense e Bahia chegam juntos à segunda pausa do Brasileirão 2026 com 20 pontos cada. As estatísticas revelam perfis diferentes e um detalhe que pode mudar tudo.


Depois de 11 rodadas do Brasileirão 2026, quatro clubes ocupam o mesmo número no placar da tabela: 20 pontos. Flamengo, São Paulo, Fluminense e Bahia formam um G-4 sem hierarquia clara — ao menos se olharmos apenas para os pontos. Mas os dados contam uma história mais rica. Perfis defensivos opostos, eficiências ofensivas distintas e, no detalhe mais importante, um jogo a menos que pode reescrever a ordem.
Abaixo, os números que definem cada candidato.
A fotografia do G-4 após 11 rodadas
| Posição | Time | Pts | J | V | E | D | GP | GC | SG |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 2º | Flamengo | 20 | 10 | 6 | 2 | 2 | 18 | 10 | +8 |
| 3º | São Paulo | 20 | 11 | 6 | 2 | 3 | 15 | 9 | +6 |
| 4º | Fluminense | 20 | 11 | 6 | 2 | 3 | 18 | 13 | +5 |
| 5º | Bahia | 20 | 10 | 6 | 2 | 2 | 15 | 10 | +5 |
O primeiro dado que chama atenção: Flamengo e Bahia jogaram uma partida a menos que São Paulo e Fluminense. Com o mesmo volume de pontos num jogo a menos, os dois têm a melhor eficiência pontual do grupo — Flamengo com 2,00 pontos por jogo, Bahia com os mesmos 2,00. São Paulo e Fluminense chegam a 1,82 pts/jogo.
O campeonato tem média de 2,6 gols por partida nas 11 rodadas iniciais — o segundo maior índice de gols desde o retorno do Brasileirão ao formato de pontos corridos em 2006. Quatro dos cinco melhores ataques da competição estão no G-4.
Por dentro dos números: cada time é um tipo diferente de candidato
São Paulo: a fortaleza que não converte
Com apenas 9 gols sofridos em 11 jogos, o São Paulo de Roger Machado tem a segunda melhor defesa do campeonato — atrás apenas do Palmeiras (10 GC, mas com um ataque de 21 gols). No entanto, o Tricolor Paulista marcou somente 15 gols, o menor volume ofensivo entre os quatro do G-4.
A derrota por 2x0 para o Vitória na rodada 11 expôs a fragilidade do modelo: quando o adversário pressiona alto e a transição não funciona, o São Paulo pode ser vulnerável, como analisado em detalhes após o tropeço no Barradão. Calleri tem 6 gols, mas não há segundo atacante com produção relevante. A defesa é uma pedra — o ataque ainda busca o mesmo nível.
Resumo estatístico: alta solidez defensiva, produção ofensiva abaixo dos concorrentes, eficiência média de conversão.
Flamengo: o mais eficiente, com um jogo na mão
O Rubro-Negro possui o melhor saldo de gols do G-4 (+8), com 18 tentos marcados e apenas 10 sofridos. Mais importante: alcançou 20 pontos em 10 partidas. Isso significa que pode chegar a 23 pontos antes que qualquer rival do grupo dispute a 12ª rodada.
Pedro tem 5 gols e a dupla de ataque vem funcionando — o clássico contra o Fluminense mostrou uma equipe competente fora de casa, com capacidade de virar jogos no segundo tempo. O risco do Flamengo está nas lesões acumuladas e no calendário carregado da Libertadores.
Resumo estatístico: melhor pts/jogo do G-4, melhor SG, maior margem de manobra com jogo a menos.
Fluminense: o mais volátil
Com 18 gols marcados — empatado com o Flamengo —, o time de Thiago Carpini tem o pior saldo de gols dos quatro (apenas +5), porque sofreu 13 gols em 11 jogos. São 1,18 gols sofridos por partida, uma média que, mantida, inviabiliza qualquer candidatura ao título.
Os números do Fluminense revelam a análise feita por Thiago Carpini ao longo da temporada: ataque funciona, mas a defesa é uma incógnita. Em seis das 11 partidas, o time sofreu pelo menos dois gols. Surpreendentemente, venceu quatro desses jogos — o que indica caráter e capacidade de reação, mas também jogo exposto.
Resumo estatístico: maior volatilidade do grupo, defesa mais vazada, capacidade ofensiva real.
Bahia: consistência sem estrelismo
O Bahia pode ser o nome mais subestimado do G-4. Com 15 gols marcados e apenas 10 sofridos em 10 jogos, o time do técnico Rogério Ceni tem os números mais equilibrados — e ainda tem um jogo a menos para disputar. O desempenho ganha ainda mais relevância quando considerado que o Bahia perdeu para o Vitória na final do Baianão e chegou ao Brasileirão sem grande expectativa.
A análise após as primeiras nove rodadas já apontava para uma campanha atípica do Bahia. A derrota que o Mirassol impôs na rodada anterior não reduziu a solidez do grupo: o Bahia continua no topo com um dos melhores aproveitamentos da competição.
Resumo estatístico: equilíbrio perfeito entre ataque e defesa, jogo a menos, favorito a ganhar terreno nas próximas rodadas.
O detalhe que muda tudo: o jogo a menos de Flamengo e Bahia
No Brasileirão, um jogo em aberto vale mais do que parece quando a briga é ponto a ponto. Flamengo e Bahia estão na posição de poder ultrapassar São Paulo e Fluminense sem que estes joguem uma bola.
Se os dois vencerem seus jogos pendentes, o mapa do G-4 muda completamente:
| Time | Pts (com vitória no jogo extra) |
|---|---|
| Flamengo | 23 |
| Bahia | 23 |
| São Paulo | 20 |
| Fluminense | 20 |
Isso colocaria os dois à apenas três pontos do líder Palmeiras (26 pts) com 12 partidas disputadas — distância totalmente recuperável ao longo das 26 rodadas restantes.
A variável oposta também existe: se Flamengo ou Bahia perderem o jogo em aberto, caem para 20 pontos em 11 jogos — mesma pontuação dos rivais, mas com eficiência deteriorada.
O que os números revelam sobre as chances reais
Comparar os perfis dos quatro clubes permite uma leitura mais precisa do que olhar apenas para a tabela:
- Flamengo tem a campanha mais sólida em termos de eficiência e saldo. O jogo a menos é um trunfo real. O risco é o desgaste da dupla jornada (Brasileirão + Libertadores).
- São Paulo é o mais equilibrado em relação ao número de jogos. Mas a falta de poder ofensivo pode custar pontos em jogos em que a defesa cede — como ficou evidente no Barradão.
- Fluminense é o candidato mais instável. Os mesmos números que mostram 20 pontos também mostram 13 gols sofridos — uma equação que, no longo prazo, favorece o adversário.
- Bahia é a surpresa com dados sólidos. Um time que sofreu menos gols por jogo do que Fluminense, marcou o suficiente e ainda tem margem de manobra.
O Brasileirão tem 38 rodadas. Há 27 a disputar. Qualquer projeção é prematura — mas os números do presente falam mais do que os pontos no placar. E eles dizem que, entre os quatro empatados, não há igualdade real: há diferenças de perfil que o tempo vai expor.
Com Palmeiras isolado em primeiro com 26 pontos, a briga entre os perseguidores promete ser longa. O G-4 mais igualado dos últimos anos começa aqui.
Fonte: CBF / ge.globo.com | Informações adicionais por Beira do Campo

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