Flamengo arrasa Botafogo por 3 a 0 e encosta na liderança do Brasileirão
Samuel Lino, Léo Pereira e Pedro marcaram no Nilton Santos. Com Ancelotti na arquibancada, Flamengo vai a 10 pontos e deixa o rival na lanterna da competição.


Não foi um clássico equilibrado. Foi uma demonstração de força. O Flamengo visitou o Nilton Santos na noite de sábado, desmontou o Botafogo com eficiência cirúrgica e voltou ao Rio com uma vitória categórica por 3 a 0 — resultado que poderia ter sido mais elástico se não fossem algumas imprecisões no último terço. Com Carlo Ancelotti na arquibancada — o treinador da Seleção anuncia a lista de convocados nesta segunda-feira (16), às 15h30 — o Rubro-Negro subiu para o terceiro lugar do Brasileirão com 10 pontos. O Botafogo, por sua vez, chega à sexta rodada com apenas 3 pontos e afunda na zona de rebaixamento em ritmo alarmante.
A ficha técnica é direta: gols de Samuel Lino (12'), Léo Pereira (46') e Pedro (3' do 2T), mais a expulsão de Barboza nos acréscimos após revisão do VAR. O árbitro Anderson Daronco (RS) conduziu um jogo físico, mas nunca fora de controle.
Gols e lances decisivos
O roteiro da noite ficou definido cedo. Aos 12 minutos, Samuel Lino recebeu pela esquerda, cortou para dentro e chutou cruzado no canto esquerdo de Raúl. Gol limpo, de um jogador que simplesmente não para de crescer com a camisa rubro-negra.
O segundo teve um protagonista inusitado. Léo Pereira, zagueiro e capitão, subiu livre na segunda trave em cobrança de escanteio aos 46 minutos do primeiro tempo e cabeceou com precisão. Com esse gol, o Flamengo fechou o intervalo em vantagem confortável e encerrou qualquer esperança de reação que o Botafogo pudesse ainda alimentar.
No segundo tempo, Anselmi tentou reorganizar o time, mas a partida já tinha dono. Pedro definiu o placar aos 3 minutos após jogada construída pelo lado esquerdo. O centroavante completou na saída do goleiro com a frieza de quem está em grande fase. Nos acréscimos, Barboza aplicou uma rasteira em Pedro quando o atacante saía sozinho para o gol. O árbitro consultou o VAR e não hesitou: vermelho direto para o defensor do Botafogo.
Análise tática: domínio rubro-negro
O Flamengo do técnico Leonardo Jardim se apresentou exatamente como havia sido descrito na análise pré-jogo: pressão alta no campo adversário, triangulações pelo corredor central e velocidade nos extremos para explorar os espaços deixados pelas subidas dos laterais botafoguenses.
A diferença desta vez foi a intensidade sustentada durante os 90 minutos. A linha de quatro flamenguista foi impecável: Léo Ortiz e Léo Pereira anularam Arthur Cabral e todas as tentativas de pivô, enquanto Jorginho e Pulgar fecharam os caminhos de Medina e Barrera, que deveriam ser os agentes criativos do adversário.
Com 62% de posse e 11 finalizações contra apenas 3 do Botafogo, a leitura de jogo é cristalina. O Rubro-Negro não jogou apenas para ganhar — jogou para controlar. Anselmi realizou as cinco substituições, mas sem conseguir mudar o panorama. O time estava desmontado já na primeira etapa.
Destaques individuais
Samuel Lino foi o jogador mais influente em campo. Além do gol, criou dois lances de perigo pela esquerda, pressionou insistentemente a saída de bola do adversário e manteve um nível de intensidade que poucos extremos do Brasileirão conseguem manter durante 90 minutos. Sua atuação não passou despercebida por Ancelotti.
Paquetá exerceu o papel de dono do meio-campo sem precisar de estatísticas chamativas. O camisa 10 foi a referência de ligação entre defesa e ataque, circulou bem nos espaços comprimidos e conduziu o ritmo da partida de acordo com o que o Flamengo precisava em cada momento. É o tipo de contribuição que escapa às planilhas.
Pedro marcou, levou a falta que resultou na expulsão de Barboza e ainda teve outra oportunidade clara desperdiçada na segunda etapa. O centroavante soma três gols em seis rodadas e está na melhor fase desde seu retorno de lesão.
Do lado botafoguense, pouca coisa funcionou. Arthur Cabral não tocou na bola dentro da área durante os 70 minutos em que permaneceu em campo — sintoma perfeito de um ataque completamente isolado. Os dados já vinham apontando para isso: a análise dos números do Botafogo em 2026 revelou que o time que foi campeão da Libertadores sofreu uma queda técnica e física sem precedentes recentes.
Números do jogo
| Estatística | Botafogo | Flamengo |
|---|---|---|
| Posse de bola | 38% | 62% |
| Finalizações | 3 | 11 |
| Finalizações no gol | 0 | 3 |
| Cartões amarelos | 4 | 2 |
| Cartões vermelhos | 1 (Barboza) | — |
| Gols | 0 | 3 |
Próximo compromisso
O Flamengo volta a campo pela 7ª rodada do Brasileirão com o clássico contra o Vasco, provavelmente no Maracanã. Com 10 pontos em seis jogos — na cola da liderança ao lado de Palmeiras e Fluminense —, Jardim tem margem para girar o elenco, especialmente com a janela doméstica se encerrando em 27 de março e a possibilidade de reforços de última hora.
O Botafogo tem uma semana livre de trabalho antes de enfrentar o Palmeiras fora de casa na rodada seguinte — partida que, dependendo dos outros resultados, pode confirmar o time no Z4 com cada vez menos saída. Anselmi precisa, urgentemente, encontrar respostas para um time que era campeão continental há menos de dois anos e hoje figura entre os candidatos ao rebaixamento. O craque e a crise andam muito próximos no futebol brasileiro.
Botafogo 0 x 3 Flamengo — Nilton Santos, 14/03/2026 | Brasileirão Série A — Rodada 6 | Árbitro: Anderson Daronco (RS)
Fonte: ESPN Brasil, Gazeta Esportiva, Lance! | Informações adicionais por Beira do Campo

Analista Tática
Formada em Educação Física e pós-graduada em Análise de Desempenho Esportivo. Certificada pela UEFA em análise tática. Cobre futebol feminino e masculino com profundidade técnica.


