Grêmio deixa dois pontos na Arena Condá em empate com a Chape
O Tricolor gaúcho saiu atrás depois de pênalti convertido por Walter Clar e só empatou nos acréscimos do primeiro tempo com Nardoni. A Chapecoense mostrou que não veio para passear na Série A.


O Grêmio foi até Chapecó com 65% de posse de bola, quatro finalizações no alvo e um currículo pesado. Voltou com um ponto. A Chapecoense foi até a Arena Condá com um pênalti, um goleiro que errou e a cara de pau de quem não leu o roteiro que dizia que era pra perder. Ficou com um ponto também — e nesse caso, um ponto vale muito mais do que parece.
O placar final de 1x1 na noite desta segunda-feira encerrou a 6ª rodada do Brasileirão Betano 2026 com o gosto amargo de mais um tropeço gremista fora de casa. Já a Chape dá mais um recado para a Série A: pode ser azarão, mas não é boi de piranha.
Gols e Lances Decisivos
O primeiro tempo foi um duelo de intensidades opostas. O Grêmio trouxe a bola, circulou bastante, mas encontrou uma Chapecoense organizada, posicionada e esperando o momento certo para picar.
O momento certo veio aos 27 minutos. Yannick Bolasie recebeu na meia-lua, driblou para dentro da área e foi derrubado. Pênalti claro, sem reclamação. Walter Clar foi para a cobrança, escolheu o canto esquerdo do goleiro adversário e converteu com frieza. Arena Condá explodiu. 1x0 Chapecoense.
O Grêmio respondeu com pressa, mas a resposta veio de um jeito que não era o planejado. Nos acréscimos do primeiro tempo, uma cobrança de escanteio pela esquerda colocou a zaga da Chape em apuros. O goleiro Léo Vieira saiu mal, perdeu a bola no ar, e Juan Nardoni apareceu livre no segundo pau para cabecear para o gol vazio. 1x1 antes do intervalo — e um banho de água fria em tudo que a Chapecoense havia construído nos 45 minutos anteriores.
No segundo tempo, o Grêmio manteve o domínio territorial, mas faltou a finalização que matasse. A Chape se reorganizou, voltou a se fechar e apostou no contra-ataque. A bola não entrou mais para nenhum dos lados.
A Chapecoense Que Ninguém Esperava
Olha, eu vou ser honesta: quando a Chapecoense subiu para a Série A, muita gente já estava calculando o rebaixamento dela com uma rodada de antecedência. E olha onde estamos — sexta rodada, empatando com o Grêmio em casa, com performance organizada e guerreira.
O mérito do técnico chapecoense é real. A equipe entende seu papel: ceder a bola ao adversário, se defender em bloco e explorar os espaços. Contra o Grêmio, esse receituário funcionou quase perfeitamente. Quase — porque o erro do goleiro no escanteio custou um ponto que poderia ter sido três.
Yannick Bolasie foi o nome do jogo no lado da Chape. O atacante congolês radicado no Brasil foi uma dor de cabeça constante para a defesa gremista, provocando erros, ganhando faltas e sendo o fio condutor de praticamente todas as jogadas ofensivas da equipe. Quando o dele estiver redondo, a Chapecoense vai surpreender mais gente.
Falando em defesa: no pré-jogo, conforme abordamos na prévia do confronto, a expectativa era de um Grêmio mais vertical e agressivo. O que se viu em campo foi diferente — uma equipe que teve a bola, mas não soube o que fazer com ela na hora que importava.
O Grêmio e o Problema das Viagens
Aqui mora um ponto que incomoda. O Grêmio é uma das equipes mais talentosas do Brasileirão — basta olhar o artilheiro Carlos Vinícius balançando as redes nos últimos jogos. Mas fora de Porto Alegre, o Tricolor ainda não encontrou o mesmo rendimento.
Seja pela postura, seja pela pressão da torcida adversária, seja por razão nenhuma — o fato é que o Grêmio tem cedido pontos quando joga longe do Grêmio Arena, e isso vai pesar na tabela se o padrão se mantiver.
Juan Nardoni salvou o empate e foi o melhor em campo pelo Grêmio, mas nem ele conseguiu ser o motor que a equipe precisava no segundo tempo. Miguel Monsalve apareceu em alguns momentos, mas sumiu quando a Chape fechou os espaços após o intervalo.
Números do Jogo
| Estatística | Chapecoense | Grêmio |
|---|---|---|
| Posse de bola | 34,9% | 65,1% |
| Chutes totais | 11 | 12 |
| Chutes no alvo | 1 | 4 |
| Escanteios | 4 | 5 |
| Cartões amarelos | 3 | 2 |
Os números contam uma história simples: o Grêmio controlou a bola, mas a Chape foi mais eficiente com o que teve. Um chute no alvo, um gol. 100% de aproveitamento nas finalizações certas. Não é sorte — é pragmatismo.
O Grêmio finalizou quatro vezes no alvo e saiu com um gol. Com aquele volume de posse, esperava-se mais. Muito mais.
Como Fica a Classificação e os Próximos Compromissos
Com o empate, a Chapecoense soma 5 pontos em seis rodadas — longe da zona de rebaixamento e com moral crescente. O Grêmio chega a 8 pontos mas perde a chance de encostar nos líderes da competição, onde São Paulo segue invicto e sob pressão crescente dos perseguidores.
Na sétima rodada, ambas as equipes voltam a campo no fim de semana. A Chapecoense tem o desafio de manter a solidez defensiva fora de casa. O Grêmio precisa reencontrar o futebol convincente que apresentou em Porto Alegre e que, até agora, some toda vez que a equipe pega o avião.
Um empate que vale mais para um lado do que para o outro. Na Série A, isso acontece bastante. A Chape entendeu o recado. O Grêmio ainda não.
Fonte: Gazeta Esportiva
Fonte: Gazeta Esportiva | Informações adicionais por Beira do Campo

Colunista
Neide Ferreira, 58 anos de paixão pelo futebol. Colunista que não tem medo de falar o que pensa. Voz da torcida, defensora do futebol raiz e inimiga da hipocrisia no esporte.


