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Anselmi 'virtualmente demitido': o Botafogo à beira do abismo

Técnico argentino segue no cargo por causa de multa rescisória alta, mas Textor já quer a saída. SAF acumula crises: diretores que foram, estrangeiros demais e risco de novo transfer ban.

Renato Caldeira
Renato Caldeira
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Anselmi 'virtualmente demitido': o Botafogo à beira do abismo
Ilustração — Momento solitário no banco resume a situação de Anselmi no Botafogo em março de 2026

Martín Anselmi ainda assina os treinos no Nilton Santos, mas o placar já está definido nos bastidores: John Textor quer o técnico argentino fora. A derrota por 2x1 para o Palmeiras na última quarta-feira — com um homem a menos durante todo o segundo tempo após a expulsão de Cristian Medina — foi o ponto de inflexão que acelerou uma crise que vem se acumulando desde o início de 2026.

Múltiplas fontes ouvidas por jornalistas especializados no clube confirmam que Anselmi está "virtualmente demitido". O que segura a demissão formal não é a confiança do dono — é a matemática do contrato. Com vínculo até o fim de 2027 e uma cláusula rescisória que tornaria a saída cara para ambos os lados, a diretoria de futebol resiste. Textor empurra. E o time perde.

A SAF que perdeu seus pilares

O campo é o sintoma. A doença está na estrutura. Em fevereiro, o Botafogo assistiu a uma sangria silenciosa nos altos escalões da SAF: Thairo Arruda, CEO desde a era pré-Textor e um dos arquitetos do título brasileiro de 2024, pediu demissão no dia 6. Logo depois foi a vez de Eduardo Iglesias, diretor de negociações de jogadores da Eagle Football Holdings, seguir pelo mesmo caminho.

As saídas não foram coincidência. Arruda rompeu com Textor por causa de um empréstimo de alto risco — juros de 25% ao mês via fundos ligados à GDA LUMA e Hutton Capital — e tratativas com o BTG conduzidas sem o aval do clube associativo. Com a saída de Arruda, a SAF ficou sem um gestor sênior com experiência brasileira no comando. Danilo Caixeiro assumiu como interino, mas o vácuo de liderança é visível.

Sem a dupla que estruturou o mercado, o Botafogo entrou na janela de transferências de março com 13 a 14 estrangeiros no elenco — um número que complica mais do que resolve. A CBF manteve para 2026 o limite de nove estrangeiros por relacionamento em partidas do Brasileirão. Na prática, Anselmi é obrigado a deixar quatro ou cinco reforços de fora toda semana quando joga pelo campeonato nacional. Para a Libertadores, o limite não existe — mas no Brasileirão, a superabundância virou embaraço tático.

Risco de novo transfer ban e a conta do Real Betis

Se a situação atual já é delicada, o horizonte próximo acende outra luz amarela. A FIFA condenou o Botafogo a pagar aproximadamente R$ 12 milhões mais juros ao Real Betis, referente a metas contratuais da venda de Luiz Henrique. O prazo dado pela entidade é de 45 dias — contados a partir de 23 de fevereiro. Isso coloca a data-limite por volta do início de abril.

O primeiro transfer ban, que bloqueou registros de jogadores entre dezembro de 2025 e 6 de fevereiro de 2026, custou caro: o Botafogo ficou 38 dias sem poder inscrever reforços em plena pré-temporada. O risco de repetição é concreto, e coincidiria com uma fase decisiva do clube na Sul-Americana 2026, competição continental para a qual o Glorioso foi designado após o desempenho abaixo do esperado na fase prévia da Libertadores.

Fernando Diniz espera, Botafogo afunda no Z-4

Com três pontos em sete rodadas — uma vitória, zero empates e seis derrotas —, o Botafogo está na 17ª posição da tabela. Aproveitamento de 14,3%. O clube que foi campeão brasileiro em 2024 e semifinalista da Libertadores ocupa hoje a ante-penúltima colocação da competição que quer reter o título.

Fernando Diniz aparece como o favorito para assumir o comando técnico caso a demissão de Anselmi seja formalizada. O ex-treinador de Fluminense e Santos tem boa relação com a torcida e perfil de jogo que agrada ao torcedor alvinegro — mas herdar um elenco superlotado de estrangeiros, com uma SAF em chamas e risco de novo ban a qualquer momento, não é exatamente o convite mais atraente do mercado.

O que está em jogo não é mais apenas o título ou a Sul-Americana. Com o Brasileirão apenas na sétima rodada, o Botafogo já olha para o calendário com preocupação de quem precisa sair do buraco rápido antes que o buraco se feche.

Anselmi segue no cargo. Até quando, só Textor sabe.

Fonte: FogãoNET, Gazeta Botafogo, ESPN Brasil, Bolavip | Informações adicionais por Beira do Campo

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Renato Caldeira
Renato Caldeira

Editor-chefe

Jornalista esportivo com 15 anos de experiência cobrindo futebol brasileiro. Ex-repórter da Gazeta Esportiva e colaborador do Lance!. Especialista em mercado da bola e bastidores dos grandes clubes.